Segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
A denúncia de Patricia Bullrich ocorre dias depois de uma operação policial que apreendeu 54 veículos numa mansão supostamente atribuída ao presidente da AFA e seu tesoureiro
Imagem: Divulgação / Qualidade da foto melhorada com inteligência artificial
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| À esquerda: Pablo Toviggino; à direita: Claudio Tapia |
Dois executivos da Associação do Futebol Argentino (AFA) foram denunciados ao Tribunal de Ética da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), no último dia 15 de dezembro, por supostos delitos financeiros, como enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. A acusação foi feita pela senadora Patricia Bullrich – ex-ministra da Segurança do governo de Javier Milei – contra o presidente da entidade argentina, Claudio Fabián Tapia, e o tesoureiro Pablo Toviggino.
“Denunciei a Tapia e Toviggino ante o Comitê de Ética da Conmebol. Precisam investigar a fundo esta máfia que dirige a AFA e suja o futebol argentino”, escreveu a parlamentar em suas redes sociais.
“As mansões, ferraris e toda essa grana suja que vimos nos noticiários, me pergunto: onde está a prata que entra pela publicidade e pela seleção [argentina]?; por que os prêmios aos campeões são mais baixos que os voos de Tapia pelo mundo? (…)”, continuou Patricia Bullrich.
O tesoureiro Pablo Toviggino respondeu à senadora, ao dizer que ‘a AFA é uma associação privada, não um organismo público do Estado’ e que ‘o dinheiro não é público e suas contratações não são regidas pela lei de compras públicas’. Ele ainda a indagou sobre supostas acusações envolvendo o governo no qual ela fez parte.
“(…) Por que não se concentra na corrupção do seu próprio governo, com um café com leite e uma torrada?”, provocou o tesoureiro, ao se referir às acusações de lavagem de dinheiro envolvendo Patricia Bullrich, seu filho e uma rede de cafeteria.
Em recente comunicado, a AFA acusou o governo Milei – sem nominá-lo diretamente – de suposta ‘perseguição política’, ao listar os juizados onde tramitam processos contra a entidade.
“(…) Ainda hoje insistem em nos apresentar como AFA peronista, quando fomos nós que não acompanhamos a disputa proselitista com a nossa imagem. Tanto o nosso tesoureiro quanto o nosso presidente foram absolvidos em todos os casos iniciados no âmbito de uma evidente perseguição política contra ambos”, manifestou a entidade desportiva argentina num trecho de nota.
Hipoteticamente, a batalha jurídica entre autoridades argentinas e a AFA poderia acarretar na desclassificação da seleção argentina em campeonatos no exterior. Na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, por exemplo, as seleções da Guatemala, da Indonésia e do Kwait foram impedidas pela Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa) de competir, devido a tentativas de interferência por parte dos respectivos governos.
A denúncia de Patricia Bullrich ante a Conmebol foi feita alguns dias após uma operação da Polícia Federal da Argentina numa mansão supostamente atribuída a Tapia e a Toviggino, que resultou na apreensão de 54 veículos. Desse quantitativo, 45 eram automóveis de luxo ou de colecionadores, além de sete motocicletas de alta cilindrada e dois karts, publicou o jornal Clarín.
Entre os bens sequestrados, vale destacar uma Ferrari F430, três Porsches e um Audi R8 V10. Somados, esses cinco automóveis valem mais de US$ 1,71 milhão – o equivalente a R$ 9,5 milhões.
Chama atenção que a 1ª Câmara Criminal e Correcional tenha retirado o caso das mãos do juiz Daniel Rafecas, do Tribunal Federal 3 – que havia ordenado a referida incursão policial –, e transferido para o Foro Penal Econômico. O magistrado é visto como linha dura, no entanto, perante parlamentares ligados ao governo Milei, como um juiz parcial e ideológico.
A Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (Arca, na sigla em espanhol), organismo equivalente à Receita Federal, acusa o presidente da AFA de suposta apropriação indevida de tributos no montante de 19 bilhões de pesos argentinos – cerca de R$ 72,7 milhões –, publicou o jornal La Nación. Os valores são relativos a contribuições previdenciárias que foram descontadas em folha de pagamento, porém não recolhidas à seguridade social dentro do prazo legal.

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