Terça-feira, 25 de novembro de 2025
Todos os artigos de suposta autoria foram removidos do portal El Espectador
Imagem: Rawpixel.com - Freepik - Uso gratuito - Foto ilustrativa
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| A inteligência artificial pode ser aliada do ser humano |
O periódico colombiano El Espectador demitiu um estagiário de jornalismo após constatar que os textos postados no site foram produzidos por inteligência artificial (IA) como Claude e ChatGPT, com menção a fontes falsas sobre especialistas que não existiam. O caso foi revelado pelo próprio veículo durante um vídeo semanal, recentemente, como parte de sua política de transparência aos leitores.
O colaborador, que escrevia artigos para a editoria Bem-Estar, não teve o nome divulgado. Também não foi informado quantos textos foram publicados nem o tempo que passou na empresa. Além disso, todo o material de sua autoria foi ‘despublicado’ – removido – do portal noticioso.
“O alerta surgiu dentro da mesma equipe de redação, quando se notou que certos artigos escritos por esse estagiário apresentavam padrões chamativos: estilos demasiados homogêneos entre si, estruturas quase idênticas e um uso repetitivo de certas expressões linguísticas. Esses sinais de alerta motivaram uma revisão mais detalhada”, explicou El Espectador.
“Com relação ao uso de IA, a verificação mostrou que os artigos tinham alguns elementos em comum: um tom neutro, incomum na linguagem jornalística, uma prosa fluída, quase copiada de um modelo, sem erros ou palavras de preenchimento, e nomes de especialistas que soam plausíveis, mas não necessariamente verificáveis”, continuou o jornal.
Entre os artigos de suposta autoria do estagiário, os destaques vão para o benefício de escrever à mão e sobre fazer cinco minutos de exercício para melhorar a saúde mental na terceira idade. Ao ser indagado pelos colegas de trabalho sobre o suposto uso irresponsável de inteligência artificial, o estagiário negou que tenha utilizado tal tecnologia.
O uso de IA suscita debates éticos sobre direitos autorais e honestidade intelectual em textos jornalísticos, acadêmicos, jurídicos e para tantas outras finalidades. Essas plataformas dispõem de um aviso aos usuários de que podem cometer erros em suas análises.
O episódio acende um sinal amarelo no jornalismo tradicional de modo geral, a começar pela checagem editorial para não comprometer a credibilidade do veículo. Outrossim, é o uso de inteligência artificial como atalho preguiçoso em vez da apuração rígida dos fatos. O mais irônico de tudo isso é que a ferramenta tecnológica não pode ser responsabilizada pelas próprias falhas.

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