Nível de fome no Brasil é baixo, aponta índice internacional

Quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Governo diz que o país conquistou o menor patamar de fome da história, mas os dados reforçam desafios

Imagem: Freepik - Uso gratuito - Foto ilustrativa
O combate à fome no Lula 3 está inserido na Agenda 2030 da ONU

O nível de fome no Brasil é considerado baixo, conforme Índice Global da Fome (GHI, na sigla em inglês) de 2025, cujos dados são relativos a 2024. Num ranking com 123 países, a nação do Fome Zero ocupa a 34ª posição e 6,4 pontos, estando empatada com Argentina e República Dominicana.

O Índice Global da Fome é calculado a partir de quatro indicadores percentuais: 1)população subnutrida, 2) crianças menores de cinco anos com nanismo, 3) crianças menores de cinco anos desnutridas e 4) mortalidade infantil antes dos cinco anos.

Quanto mais baixo o índice, mais favorável é a situação:

* Baixo: inferior ou até 9,9 pontos.
* Moderado: de 10,0 a 19,9 pontos.
* Sério: de 20,0 a 34,9 pontos.
* Alarmante: de 35,0 a 49,9 pontos.
* Extremamente alarmante: de 50,0 pontos em diante.

Em comparação com outras nações latino-americanas, o Brasil fica atrás do Chile, Costa Rica e Uruguai – as três com menos de 5,0 pontos cada –; Paraguai, com 5,2 pontos; México, com 6,0 pontos; e Colômbia, com 6,1 pontos.

Dos 123 países analisados, 52 – entre eles o Brasil – aparecem com índice global de fome baixo. Outros 36 têm risco moderado; 35, risco sério; e mais sete são considerados alarmantes.

O referido informativo não inclui nações desenvolvidas como Reino Unido, França, Espanha, Dinamarca, Noruega, Suécia, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Japão e Coreia do Sul, por exemplo.

Publicado a cada oito anos, em média, o relatório é elaborado por três organizações internacionais: Concern Worldwide, Welt Hunger Hilfe e Instituto de Direito Internacional da Paz e dos Conflitos Armados (IFHV, na sigla em inglês).

No ano 2000, por exemplo, o Brasil tinha 11,6 pontos. Em 2008, 6,3 pontos. E em 2016, 5,4 pontos, segundo essas entidades.No entanto, quando se compara o GHI de 2025 com o de 2016, por exemplo, nota-se uma piora de um ponto de lá para cá.

Outrossim, é que o Brasil, como uma potência econômica e social, não obteve uma posição tão favorável no último relatório em relação a outras nações latino-americanas bem menores, mas que tiveram desempenho melhor, como Uruguai e Paraguai, dois vizinhos sul-americanos. Tudo isso reforça para os desafios que ainda persistem.

Em 2025, o Brasil saiu do Mapa da Fome, conforme dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês). Segundo a entidade, menos de 2,5% da população estão em risco de subalimentação.

O governo brasileiro comemorou que o país tenha alcançado o menor patamar de fome da história em 2024, ao igualar os índices de 2013, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último dia 10 de outubro.

Um dos programas mais conhecidos internacionalmente é o Fome Zero, criado em 2003 durante o primeiro mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP). A iniciativa não só se tornou referência no combate às desigualdades sociais, como também virou uma das principais plataformas políticas e eleitoreiras do líder petista.

Em agosto de 2023, nos primeiros meses de sua terceira gestão, Lula criou o Plano Brasil sem Fome, no intuito de reduzir a fome e a insegurança alimentar até 2030. O novo programa está atrelado a alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

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