Segunda-feira, 25 de agosto de 2025
O pronunciamento ocorre em meio às tensões de uma eventual invasão de militares norte-americanos na Venezuela
Imagem: Andrea De Silva - Redes Sociais
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| Kamla Persaid Bissessar |
A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persaid Bissessar (foto), país localizado no Caribe, declarou apoio à iniciativa do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, no combate aos cartéis de drogas na América Latina, sem citá-lo nominalmente. E acrescentou que se o ‘regime’ do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decidir invadir a Guiana, que abriria sua fronteira marítima em favor de tropas norte-americanas.
“A implantação pelo governo dos EUA de ativos militares americanos na região do Caribe para destruir os cartéis terroristas de drogas tem o total apoio do Governo de Trinidad e Tobago. As únicas pessoas que deveriam estar preocupadas com a atividade das forças armadas dos EUA são aquelas que estão envolvidas ou que permitem atividades criminosas. Os cidadãos cumpridores da lei não têm nada a temer.
(…) Nunca foram feitos pedidos pelo governo americano para que os seus bens militares acedessem ao território de Trinidad para qualquer ação militar contra o regime venezuelano. Trinidad e Tobago sempre tiveram boas relações com o povo venezuelano e isso continuará. No entanto, quero deixar bem claro que se o regime de Maduro lançar algum ataque contra o povo da Guiana ou invadir o território da Guiana e for feito um pedido pelo governo americano para o acesso ao território de Trinidad para defender o povo da Guiana, o meu governo irá providenciar-lhes de forma inabalável aquele acesso.
A implantação pelo governo dos EUA de ativos militares americanos na região do Caribe para destruir os cartéis terroristas de drogas tem o total apoio do Governo de Trinidad e Tobago”, avisou a representante trinitária, ao compartilhar em suas redes sociais uma nota publicada por seu partido político, United National Congress (UNC), no último sábado (23/8).
A distância entre Trinidad e Tobago e a costa venezuelana é de apenas 11 quilômetros. É de conhecimento público que o governo estadunidense enviou na semana passada alguns navios, transportando mais de quatro mil soldados, para operações de enfrentamento ao narcotráfico na América Latina. A esquadra precisou recuar devido à passagem do furacão Erin no Caribe. Por temor de ser deposto do cargo numa eventual intervenção militar estrangeira, Maduro ordenou o alistamento de mais de quatro milhões de milicianos e mercenários.
Autoridades norte-americanas acusam Nicolás Maduro e o ministro do Interior, Paz e Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, de supostamente integrarem o Cartel de los Soles e de colaborarem com outras facções criminosas como Tren de Aragua e Cartel de Sinaloa, por exemplo. Na semana passada, o governo dos EUA dobrou de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões a recompensa pela captura do mandatário sul-americano.
Ainda segundo a representante trinitária, países caribenhos têm experimentado, nos últimos 20 anos, elevados índices de criminalidade com ‘taxas de homicídio recordes, atividade de gangues, dependência de drogas, crimes violentos e aumento da pobreza. E completou: “(…) Pequenos estados insulares como o nosso simplesmente não dispõem dos recursos financeiros e militares para enfrentar os cartéis de drogas”.
A nota divulgada pela primeira-ministra Kamla Persaid também explica que, por enquanto, o tema não seria levado à Comunidade do Caribe (Caricom), bloco econômico e político formado por pequenos países e que inclui Guiana, Jamaica, Suriname, Bahamas, Santa Lúcia, entre outros.
É importante destacar que, em abril de 2024, Nicolás Maduro promulgou uma lei, criando a província venezuelana de Essequibo. O território pertence à vizinha Guiana e é riquíssimo em petróleo. Por receio de confronto, as Forças Armadas brasileiras ampliaram a presença nas fronteiras entre ambos os países, pois para um invadir o outro seria necessário passar pelo Brasil, atravessando o norte de Roraima.

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