Sábado, 30 de agosto de 2025
Justiça mantém prisão dos seis funcionários da Defesa Civil de Cordeiro flagrados abandonando oito cachorros sedados em área de mata
Imagem: 154ª DP - Redes Sociais
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| O excesso de sedativo poderia matar os animais, o que revela um grau de psicopatia por parte dos envolvidos para que as vítimas morressem dormindo e sem dor |
Entre os seis servidores da Prefeitura de Cordeiro (RJ) envolvidos em maus-tratos a animais, conforme amplamente noticiado na mídia desde a última quarta-feira (27/8), o destaque vai para o subsecretário Municipal de Defesa Civil, Rafael Oliveira de Mello, que ocupa desde fevereiro deste ano o cargo comissionado.
Em audiência de custódia ocorrida na tarde dessa sexta-feira (29/8), o juiz Rafael de Almeida Rezende, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), manteve a prisão dos réus, ao atender um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), tendo convertido a captura em flagrante em prisão preventiva devido à ‘gravidade em concreto do delito’, no intuito de ‘resguardar a ordem pública’.
Durante uma operação na última quarta-feira (27), policiais civis da 154ª DP (Cordeiro) prenderam em flagrante seis funcionários da Defesa Civil Municipal de Cordeiro, todos uniformizados e usando uma viatura caracterizada, no momento que deixavam em área de mata oito cachorros sedados para morrer. Os animais (foto 1) foram resgatados e receberam cuidados veterinários. O caso gerou indignação perante a população e repercussão na imprensa.
“O modus operandi e as circunstâncias da prisão, com apreensão de seringas e medicamentos sedativos, sugerem a habitualidade criminosa e o risco concreto de reiteração delitiva”, justificou o magistrado nos autos processuais.
Na terça-feira (26), um dia antes da operação, a delegacia recebeu uma denúncia anônima, via WhatsApp, de que servidores públicos da administração municipal planejavam retirar cães de uma residência para posteriormente abandoná-los ou matá-los na zona rural.
Consta nos autos processuais que ‘os animais teriam sido retirados, mediante ardil, de seu proprietário Luiz Carlos’ [de Moraes Lontra], ou seja, de maneira astuta ou estratagema fraudulento. Ele aparece como testemunha de acusação.
As investigações, coordenadas pelo delegado titular Gilberto Soares da Silva, da 154ª DP (Cordeiro), tiveram início por conta dos relatos de envenenamento de cães em Cordeiro, num inquérito que durou cerca de três meses. Os agentes analisaram imagens registradas por câmeras de monitoramento para conseguir capturar em flagrante os réus, que estão respondendo por abandono e maus-tratos a animais, delitos previstos na Lei nº 9.605/1998, a legislação que trata de crimes contra a fauna e a flora.
“Ao que tudo indica, não se trata de uma ação isolada dos custodiados, que são funcionários do município de Cordeiro”, salientou o juiz Rafael Rezende em sua decisão para que os réus permanecessem encarcerados.
Imagem: 154ª DP - Redes Sociais
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| As investigações ainda precisam revelar como os envolvidos arrumaram sedativos e seringas |
Os celulares dos acusados foram apreendidos para serem periciados. As investigações ainda precisam desvendar de quem teria partido a ordem ou permissão para que tais delitos fossem cometidos, tendo em vista o caso não parece ser isolado, a quantidade dos animais resgatados, a presença do subsecretário de defesa civil, além de como os servidores cordeirenses adquiriram injeções e sedativos (foto 2).
Numa sociedade cada vez mais consciente na proteção, na defesa e nos direitos dos animais, é impensável, de tão bizarro, que trabalhadores da defesa civil – cuja missão deveria ser a de salvar vidas – contrariem tais valores e se envolvam em crimes de tal natureza. A sofisticação de toda essa psicopatia está no fato de demonstrarem uma suposta piedade para com as vítimas, para que pudessem morrer dormindo, sem sentir dor.
Os envolvidos identificados são: Heráclito Ortega Braga, Lucas Correa Montechiari, Lúcio Gomes Correa, Rafael de Oliveira Mello, Rondinely da Silva Sanches e Sormani Feijó de Carvalho.
Em nota publicada nas redes sociais no dia das prisões, a Prefeitura de Cordeiro informou estar ‘ciente dos fatos’ e que ‘repudia veementemente qualquer ato de maus-tratos a animais’. Acrescentou que abriu um processo administrativo disciplinar ‘com o objetivo de apurar responsabilidades e adotar, se necessário, as penalidades cabíveis’.


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