Oruam vai continuar preso, decide Justiça do RJ

Quarta-feira, 23 de julho de 2025

Rapper atirou pedras contra policiais civis e impediu a apreensão de um adolescente considerado um dos maiores assaltantes de veículos do estado fluminense

Imagem: Redes Sociais - Divulgação
Oruam

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu manter preventivamente preso Mauro Davi Nepomuceno dos Santos – popularmente conhecido como Oruam – após audiência de custódia ocorrida nesta quarta-feira (23/7), na Central de Custódia de Benfica. O funkeiro foi preso ontem (22), ao se entregar na Cidade da Polícia, no bairro Jacaré, Zona Norte do Rio, após ser indiciado por sete delitos: associação ao tráfico de drogas, tráfico de drogas, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal.

Ele estava no Presídio José Frederico Marques, em Benfica. Por decisão do governo estadual, foi transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó, Zona Oeste do Rio. Na prisão preventiva, o réu pode permanecer na cadeia pelo tempo que a Justiça considerar necessário, no decorrer do processo, para não comprometer as investigações, se houver risco de fuga ou quando o acusado representa algum tipo de ameaça à ordem pública e social.

O requerimento de prisão foi protocolizado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) depois de o cantor se envolver numa confusão com policiais civis na noite da última segunda-feira (21) em sua residência, no Joá, Zona Oeste do Rio. Oruam e outras pessoas presentes atiraram pedras contra os agentes e viaturas e proferiram xingamentos, impedindo-os de apreender um adolescente – identificado como ‘Menor Piu’ – acusado de ser um dos maiores ladrões de veículos do estado e de fazer a segurança do traficante Edgar Alves de Andrade, vulgo ‘Doca’, chefe do Comando Vermelho no Complexo da Penha, na Zona Norte da capital fluminense.

O funkeiro havia fugido para o conjunto de favelas da Penha após atrapalhar e ofender os policiais civis. Ele chegou a publicar um vídeo nas redes sociais, desafiando-os a buscá-lo na comunidade. Ainda não se sabe o que motivou a se entregar, mas de uma coisa é certa: uma eventual operação de captura poderia tornar outros criminosos alvos e levaria o problema para o local.

Para o secretário de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Felipe Curi, o rapper seria um ‘criminoso faccionado’, e expressou:

“Se havia alguma dúvida de que o Oruam seria um artista periférico ou um marginal da pior espécie, hoje nós temos certeza de que se trata de um criminoso faccionado, ligado ao Comando Vermelho, facção que o pai dele, o Marcinho VP, controla à distância de fora do estado, mesmo estando preso em presídio federal”.

Após a imprensa noticiar sobre o pedido de prisão, Oruam disse que não era bandido, que pretendia se entregar e pediu desculpas pelo ocorrido. Acrescentou, falando que amava os fãs e que daria a volta por cima por meio de suas composições.

Essa não foi a primeira vez que o funkeiro se envolveu em polêmicas: em fevereiro deste ano, foi preso na orla da Barra da Tijuca, após dar cavalo-de-pau com seu veículo na frente de uma viatura da Polícia Militar e parar na contramão. Foi liberado após pagar fiança de R$ 60 mil, tendo sido autuado em flagrante por direção perigosa. Depois de solto, lançou mais uma letra de funk.

Em maio deste ano, Mauro Nepomuceno promoveu uma motociata pelas ruas do Rio, com direito a fogos de artifício, em protesto à forma como seu colega de profissão Marlon Brendon Coelho Couto – conhecido como MC Poze do Rodo – foi preso. Quando o amigo foi libertado do Complexo Penitenciário de Gericinó, no dia 3 de junho, Oruam subiu no teto de um ônibus para celebrar a soltura em meio a uma multidão que engarrafou o trânsito. Ele também se desculpou por ter escalado o coletivo.

Ao se entregar nessa terça-feira (22), o rapper lançou uma nova música intitulada ‘Manifesto #1 – A Rua Cercada por Divisão’, em parceira com Real Fubá e MC Poze do Rodo. A letra critica o Estado por matar jovens em vez de investir mais educação.

Em todas essas ocasiões, nota-se uma espécie de modus operandi: ele se envolve em alguma polêmica ou confusão, pede desculpas e depois lança uma letra de funk, aproveitando-se por ser um dos assuntos do momento na mídia.

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