Copa América 2021: jogadores terão de ‘driblar’ em campo cerca de um milhão de cadáveres por Covid-19

Segunda-feira, 31 de maio de 2021

Brasil sediará campeonato; juntos os países da Conmebol contabilizam mais de 700 mil mortes

Imagem: kjpargeter - Freepik - Creative Commons
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O bom senso não foi chamado para os jogos
Os jogadores que vão atuar na Copa América 2021 terão de “driblar” em campo não só a bola, mas, principalmente, cerca de um milhão de cadáveres. Até a publicação desta reportagem, os 10 países que integram a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) somavam ao menos 771.600 mortes por coronavírus (Covid-19). São eles: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. A série de jogos foi transferida para o Brasil e está prevista para o próximo dia 13 de junho, com término programado para o próximo dia 10 de julho. Até o início do campeonato, esse número, certamente, aumentará.

Promover um campeonato a essa altura do campeonato é desrespeitar e debochar das vítimas. É um ato de insensatez! É a maior demonstração de negacionismo por parte de uma entidade internacional e dos governantes da nação onde sucederão os jogos. É gol contra a própria imagem do futebol. “A vida tem que continuar”. Muitos vão dizer isso. Mas, não é o momento para esse tipo de evento.

No “país do futebol” – onde o futebol é associado ao patriotismo –, em que as cores da bandeira nacional foram “sequestradas” ideologicamente para criar um espécie de “nós contra eles”, talvez não faça a menor diferença ter ou não ter um torneio em solo nacional. Para esse tipo de indivíduos, o mais importante é o direito de ir e vir. Cedo ou tarde essa fatura será cobrada jurídica ou politicamente nas próximas eleições.

O Brasil, que será a nova sede, enfrenta sua pior crise sanitária em tempos atuais é o país mais caótico, com 462.791 falecimentos, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), nesta segunda-feira (31/5). Nessa nação com dimensão continental, cerca de 45 mil pessoas já tomaram ao menos a primeira dose da vacina contra o Covid-19. O quantitativo é baixo, se considerado o universo de mais de 210 mil habitantes.

Reportagem da “CNN Brasil”, do último dia 11 de maio, mostrou o Brasil na quarta posição de países que mais aplicaram vacinas. Contudo, no ranking global, estava na 58ª posição em doses de vacina por cada 100 mil habitantes. Entre as nações do G20, estava em 9º lugar.

Mesmo se os jogos ocorrerem sem público presencial, falta sensibilidade por parte das seleções esportivas. Aqui, em especial, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Os atletas também correm risco de contágio. Quem já teve o vírus pode contrai-lo novamente, podendo ser assintomático ou não, o que não impede de infectar outras pessoas.

As partidas iriam acontecer na Argentina e na Colômbia. No entanto, devido à crise pandêmica e por conta da situação política nesta última nação, os torneios foram migrados para o gigante sul-americano. Os protestos colombianos se devem ao fato de o governo querer se aproveitar da tragédia da pandemia para tentar promover uma reforma tributária, com aumento de impostos e em meio ao desemprego, e também no sistema de saúde.

A Argentina, que seria uma das sedes, registrou até o momento 78.093 óbitos, enquanto que a Colômbia, que compartilharia os jogos, 87.207 mortes, ficando atrás do Brasil entre os países da Conmebol.

Já o Peru registrou 68.978 falecimentos, enquanto que o Chile, 29.300. Equador tem 15.024 mortes, Bolívia, 14.377, Paraguai, 9.083, Uruguai, 4.118, e Venezuela, 2.629. Os dados foram obtidos nos sites dos ministérios da Saúde dos respectivos países, com exceção do Brasil, pelo Conass, e Bolívia, Colômbia, Peru e Uruguai, no site da Organização das Nações Unidas (ONU). No portal dessa entidade global, o Equador aparece com 20.485 óbitos. Algumas informações podem estar um pouco defasadas. 

Estudos preliminares mostram que ao menos uma das variantes brasileiras do coronavírus, P1, seria capaz de “driblar” o sistema imune de indivíduos que já tiveram a doença ou até mesmo um tipo de vacina. O vírus que apareceu na China, ao final de 2019, tem se adaptado em alguns países, desse modo surgindo variantes. Falta saber como os organizadores da Copa América 2021 vão “driblar” as críticas por parte da opinião pública. Quanto ao risco de contaminação aos integrantes dos times, a melhor alternativa é todos já estarem vacinados, um privilégio que talvez não tivessem em seus respectivos países se não fosse por conta do campeonato.

A primeira partida será entre Argentina e Chile, às 18h do próximo dia 13 de junho. Logo após, às 21h, entre Paraguai e Bolívia. No dia seguinte (14), serão transmitidos os jogos entre: Brasil e Venezuela, às 20h, e Colômbia e Equador, às 23h. Os horários mencionados são em relação a Brasília.

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