Domingo, 10 de novembro de 2019
Informação atualizada em 10/11/2019, às 21h19
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Morales assumiria o quarto mandato em janeiro de 2020
Imagem: Enzo de Luca - ABI - Reprodução / Copiada do site Fotos Públicas
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| Evo Morales convoca novas eleições |
O presidente da Bolívia, Evo Morales, renunciou ao cargo, neste domingo (10/11), em meio aos protestos que tomaram conta do país, devido à sua reeleição, em primeiro turno, no último dia 20 de outubro, de acordo com o site local “La Razón”. O vice-presidente Álvaro García Linera decidiu segui-lo em sua decisão. Em rede nacional, eles justificaram a saída para poder conter a onda de violência e atribuiu a uma conspiração golpista “cívico-político-policial” promovida com o apoio do candidato adversário à presidência Carlos Mesa, que ficou em segundo lugar. Evo Morales foi eleito com 47% dos votos, enquanto que o segundo colocado recebeu 36%.
A situação no país andino piorou depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA), que acompanhou o pleito com uma missão de observadores internacionais, divulgou relatório de uma auditoria, afirmando que o sistema eletrônico eleitoral tinha sido “manipulado”, ou seja, fraudado. A entidade continental recebeu mais de 250 denúncias de supostas irregularidades durante o processo eleitoral. Após a divulgação do documento, o governo decidiu fazer mudanças no Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), segundo a “Agência Boliviana de Informação” (ABI).
Evo Morales tomaria posse para o quarto mandato – de 2020 a 2025 – no próximo dia 22 de janeiro. Agora tenta transformar sua renúncia em golpe. Ele teria sido pressionado pelas Forças Armadas e policiais e pela sociedade civil a abandonar o posto.
A verdade é que ele governou a Bolívia ininterruptamente desde 2006, ou seja, por 13 anos. É sabido que uma das principais marcas da democracia é a alternância de poder. Em 2009, conseguiu alterar a constituição para que pudesse se reeleger, o que o dava direito a até mais dois mandatos. Em 2016, com o apoio da ala governista no congresso, tentou burlar a legislação, ao promover uma consulta popular sobre reeleição. Os bolivianos haviam dito “não” a um quarto mandato. Em 2017, o Tribunal Constitucional Plurinacional (TCP), a suprema corte, havia autorizado Morales a concorrer, mesmo que desobedecendo a constituição, ao sustentar que limitar o número de reeleições violaria os direitos humanos. Evo Morales não respeitou a soberania popular e decidiu concorrer novamente. Portanto, sua reeleição, em 2019, poderia ser considerada um golpe de Estado pela via democrática do voto popular.
A tentativa de Evo Morales de se restabelecer no poder a todo o custo ajuda a criar um estereótipo em relação à esquerda, de que, supostamente, seria a favor de ditaduras. Já basta a Venezuela, com o chavismo reinante há 17 anos, mesmo após a morte de Hugo Chávez em 2013.
Os protestos na Bolívia são apenas mais um capítulo da série de conflitos que têm ocorrido em países latino-americanos como Peru, Equador e Chile. A população protesta contra a corrupção política, reformas trabalhistas, aumento de impostos, entre outras questões, provocando instabilidade.
Morales chegou a convocar (foto) novas eleições, que ainda não têm data para acontecer. Não está claro se ele pretende concorrer de novo ou deixar o caminho livre para a alternância de poder.

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