Terça-feira, 11 de junho de 2019
Entre os casos estava a operação financeira que envolveu o grupo Galileo Educacional, mantenedora da Gama Filho e da UniverCidade
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) deflagraram, nesta terça-feira (11/6), a operação Tergiversação, em que prendeu uma suposta quadrilha que atuava dentro da Superintendência da PF no Rio de Janeiro. Entre os presos estão o delegado federal Lorenzo Pompílio da Hora e o escrivão Éverton da Costa Ribeiro. Os dois foram denunciados por, supostamente, terem recebido vantagens financeiras de envolvidos em casos que investigavam, por exemplo, da operação Recomeço, deflagrada em 2016 e que resultou na prisão de integrantes dos fundos de pensão Postalis (dos Correios) e Petros (da Petrobras), além dos antigos gestores do grupo Galileo Educacional, da Universidade Gama Filho (UGF) e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), ambos no Rio de Janeiro.
De acordo com as investigações, eles cobravam propina de investigados e potenciais investigados, a fim de evitar que eles tivessem os nomes expostos na mídia e também para favorecê-los nas apurações. Os pagamentos variavam entre R$ 400 mil e R$ 1,5 milhão e eram feitos na maioria das vezes em espécie. Em certos casos, as cifras seriam repassadas por meio de transferências de empresas ligadas aos operadores Marcelo Guimarães e Rosalino Felizardo de Santana Neto.
As investigações também apontam como supostos participantes João Albuquerque Magalhães Cordeiro Júnior, Sancler Miranda Costa, Pedro Henrique Moreira Fernandes e Luís Henrique do Nascimento Almeida.
Ao todo foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, três mandados de prisão temporária e 25 de buscas e apreensão. A operação Tergiversação foi autorizada pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Os réus tiveram quebrados os sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário.
O MPF-RJ não divulgou os nomes das supostas vítimas de extorsão. Os réus também são investigados por suposta atuação em inquéritos policiais das operação Titanium, que apura fraudes envolvendo o Plano de Saúde dos Correios. As acusações são de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A operação Recomeço
A operação Recomeço foi deflagrada em junho de 2016, com o intuito de apurar desvios no Postalis e Petros, cujos prejuízos, estimados à época, eram de R$ 90 milhões. Na ocasião, 46 pessoas físicas e jurídicas no Brasil e no exterior tiveram valores bloqueados, totalizando R$ 1,35 bilhão.
A supracitada operação apura a operação de debêntures realizada pelo grupo Galileo Educacional, entre 2010 e 2011, por intermédio do Banco Mercantil, cujos investidores foram os dois mencionados fundos de pensão. Na época, foram captados R$ 100 milhões. A grana não foi usada como prometido para as melhorias na UGF.
Em janeiro de 2014, após longas e sucessivas greves, tanto a Gama Filho quanto a UniverCidade foram descredenciadas pelo Ministério da Educação (MEC), pressionado a agir em meio a críticas e protestos. A desculpa usada foi a suposta “baixa qualidade acadêmica”.
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