López Obrador: o presidente dos astecas

Domingo, 02 de dezembro de 2018

Posse do novo presidente do México é marcada por rituais indígenas

Imagem: Presidência do México / Reprodução
Uma importante característica da esquerda é
se aliar aos diferentes movimentos sociais
A cerimônia de posse (fotos) do novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), de 65 anos, do partido Movimento Regeneração Nacional (Morena), foi marcada por rituais indígenas, nesse sábado (1/12), no Zócalo, a principal praça do país. Das mãos dos representantes dos 68 povos indígenas, ele recebeu o Bastão do Mandato, um símbolo de reconhecimento desse povo por sua autoridade, e participou de um ritual de purificação contra más vibrações, com direito à oferenda, rezas, banho de fumaça de ervas e colar de flores. A primeira-dama Beatriz Gutiérrez também passou pelo ritual. Num aparente gesto de humildade, ele se ajoelhou ante um sacerdote, que o entregou um crucifixo.

Além de ser o primeiro governante socialista, AMLO é também o primeiro presidente do país a receber tal homenagem. Oficial e simbolicamente, ele é o presidente dos astecas. Ao aceitar o bastão, López assume uma responsabilidade de olhar mais para o povo indígena.

Considerado um populista, López Obrador chegou ao parlamento, para receber a faixa presidencial, caminhando e cumprimentando a população, segundo a imprensa local. Em seus discurso de posse, garantiu que não haveria ‘gasolinazos’ (protestos massivos contra o aumento no preço da gasolina como os que foram registrados em janeiro de 2017 na gestão de seu antecessor), ao alegar que não aplicaria reajustes, exceto os inflacionários. Prometeu não mentir, não roubar nem trair o povo e também que haveria uma investigação “a fundo” para descobrir “a verdade” sobre o massacre cometido contra 43 universitários, em Ayotzinapa, em 2014.

AMLO também prometeu enviar ao Congresso um projeto de lei para criar a Guarda Nacional, que deverá atuar contra sequestros, assassinatos e assaltos. Ele criticou a impunidade e sustentou que em seu governo a corrupção seria considerada um crime inafiançável. No entanto, suas palavras contrastam com o que foi dito dias antes de sua posse em entrevista à jornalista “Carmen Aristegui”. Ele falou que durante a campanha nunca prometeu prender os políticos corruptos, pois “geraria um conflito pior que no Brasil”. A crise que talvez estivesse se referindo foi a que surgiu a partir das investigações da Lava-Jato, operação que investiga a roubalheira na Petrobras, com reflexos econômicos e políticos e que induziram ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG), em 2016.

Imagem: Presidência do México / Reprodução
Zócalo: a praça mais importante do país para
o evento mais importante da democracia
O novo mandatário também disse que sua relação com os Estados Unidos seria de “respeito, benefício mútuo e de boa vizinhança”. Destacou que os 50 consulados mexicanos no país vizinho se converteriam em “defensorias” a favor dos direitos humanos de seus cidadãos.

O mandato de AMLO é de quase seis anos, com término previsto para outubro de 2024. Ele assume o país, tendo de lidar com inúmeros desafios, entre eles a luta contra o narcotráfico e os cartéis de droga, a corrupção, a crise econômica e o fluxo migratório desenfreado, considerando que o México é um país de passagem para os Estados Unidos. Ele também terá de provar que fará um governo moderado e longe do extremismo ideológico, tendo em vista a guinada histórica que a nação tomou, da direita para a esquerda. Contudo, o maior de todos os desafios é provar que seu governo realmente é o da mudança, diferente e melhor que os anteriores.

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