Quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Imagem: Embaixada da Alemanha no Brasil / Facebook /
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| Nenhuma das vertentes ideológicas quer carregar o estigma de uma ditadura segregadora e assassina |
A emissora de TV alemã Deutsche Welle (DW) deu uma reposta aos brasileiros que tentaram ‘ensinar’ história às autoridades da nação europeia, afirmando que o nazismo seria de esquerda, em vez de direita. Em artigo intitulado ‘Em vez do nazismo e comunismo, vamos falar dos problemas do Brasil?’, publicado nesta quarta-feira (26/9), o colunista Thomaz Milz, que mora no Rio de Janeiro há quatro anos, disse ser ‘a hora de virar o disco’. Para bom entendedor, o título significa que os brasileiros deveriam se preocupar mais com os próprios problemas e questões e deixar que cada país cuide de sua história e seu passado.
Como é de conhecimento público, no último dia 5 de setembro, a Embaixada da Alemanha no Brasil postou um vídeo (clique aqui para assistir), com a legenda ‘Os alemães não escondem o seu passado. Saiba como se ensina história na Alemanha’, no qual explica como o povo teutônico lida com assuntos como nazismo e Holocausto. Por conta disso, muitos internautas da nação sul-americana questionaram as autoridades alemãs, ao sustentarem que o movimento criado por Adolf Hitler seria de ‘esquerda’, não de ‘direita’, pelo fato de aquele governo, que foi deposto durante a II Guerra Mundial, ter sido controlado pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), mais conhecido como Partido Nazista. A palavra ‘socialista’ foi o ponto observado para gerar todo o alvoroço nas redes sociais.
“Devemos nos opor aos extremistas de direita, não devemos ignorar, temos que mostrar nossa cara contra neonazistas e antissemitas”, expressou o ministro de Relações Externas da Alemanha, Heiko Maas. O vídeo, de um minuto e sete segundos, é composto por imagens, música de fundo e transcrições falas e narrações como estas: ‘E quando o extremismo de direita voltar no país?’ e ‘Quem protesta contra o nazismo não é de esquerda, mas normal’. O material recebeu 1,8 mil comentários, 11 mil reações e curtidas, 21 mil compartilhamentos e já foi visualizado 854 mil vezes.
Em resposta naquela ocasião e após os ataques recebidos nas redes sociais, o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, falou que esse tipo de indagação sobre a ideologia do nazismo não existia em seu país e que essa discussão no Brasil pode ter sido gerada por ‘ignorância ou desonestidade’, segundo a ‘DW’.
O artigo postado pelo colunista alemão é muito sutil:
“(...) Por outro lado, eu tenho que admitir que a localização ideológica anda difícil. Transferir para outros continentes conceitos desenvolvidos a partir de experiências europeias é complicado, até porque, no momento, as terminologias se confundem mesmo na Europa.
Culpa da falta de formação escolar? Ou por as gerações mais jovens não terem mais ninguém na família que lhes explique a diferença entre a ditadura nazista e o ‘socialismo real da Alemanha Oriental’? Eu, pelo menos, me lembro vividamente de conversas com parentes e conhecidos que sofreram sob ditaduras das mais variadas tendências na Europa.
Então, como é que eu posso me queixar da desorientação ideológica aqui no Brasil se há confusão também na Europa? Lá os extremistas radicais de direita e de esquerda se dão as mãos em posicionamentos comuns como o isolamento nacional ou o rechaço da globalização. Em breve, ‘direita’ e ‘esquerda’ pouco vão servir para uma classificação ideológica. Em vez disso, talvez se deva distinguir entre ‘progressistas abertos para o mundo’ e ‘conservadores fechados para tudo’”, destacou.
Imagem: Embaixada da Alemanha no Brasil / Facebook /
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| O pensamento extremista e antiglobalização ressurge em oposição à migração em massa de povos que fogem da guerra e da fome |
Toda essa polêmica acontece justamente durante o período eleitoral no Brasil, tendo em vista que os dois candidatos a presidente cogitados a se enfrentarem num eventual segundo turno, no próximo dia 28 de outubro, são de ideologias opostas: Jair Bolsonaro (PSL-RJ), considerado de extrema direita, e Fernando Haddad (PT-SP), de esquerda.
Bolsonaro é, muitas vezes, comparado ao falecido ditador nazista por seus opositores e críticos, especialmente por certos posicionamentos favoráveis ao regime militar no Brasil (1964-1985), à pena de morte e ao porte de armas, ademais algumas polêmicas e/ou comentários considerados depreciativos em relação a mulheres e homossexuais, por exemplo, os quais ele se esquiva, afirmando ter sido uma mera ‘brincadeira’.
No Brasil, a ideia de atribuir o nazismo ao socialismo poderia ser vista como uma tentativa de colocar na conta de legendas esquerdistas esse passado vergonhoso, sob o artifício de que os governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff mantinham um excelente relacionamento com regimes ditatoriais e de esquerda como os de Fidel Castro, em Cuba, Hugo Chávez, na Venezuela, e Daniel Ortega, na Nicarágua, além de ditaduras na África, Coreia do Norte e China, por exemplo.
Cabe salientar que, no Brasil, fazer apologia ao nazismo é crime, com pena prevista de dois a cinco anos de prisão mais multa.


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