Domingo, 17 de setembro de 2017
Farc: de grupo terrorista a partido político
Farc: de grupo terrorista a partido político
Imagem: Twitter / Reprodução
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Já é sabido que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (Farc-EP) não são mais consideradas uma guerrilha pelo governo colombiano. Tornaram-se um partido político de esquerda e se chamam Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc). Essa suposta conversão se deveu ao tratado de paz fomentado pelo presidente Juan Manuel Santos, com o apoio dos governos de Cuba, Venezuela e Noruega. As rodadas de negociação aconteciam geralmente em Havana.
Agora será a vez do Exército de Libertação Nacional (ELN) – visto como o segundo maior grupo terrorista colombiano – de também negociar um processo de paz, desta vez com mediação do Brasil. Segundo a “Folha de São Paulo”, Brasília não participou dos tratados de paz das Farc na época, “porque os governos petistas tinham aversão quase automática às gestões conservadoras colombianas – e consequentemente simpatia pela posição das Farc, alinhadas ao chavismo da Venezuela”.
Vale lembrar que, em 1995, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia participaram em El Salvador de um encontro do Foro de São Paulo, entidade que reúne partidos de esquerda das Américas, tendo sido criada pelos ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e de Cuba, Fidel Castro, em 1990. As legendas socialistas, não a viam como grupo terrorista, mas com a romantização de um movimento camponês que surgiu há décadas.
Em 2016, o mandatário foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz por dar fim a uma guerra civil de mais de meio século contra as Farc. No entanto, a maioria da população não aprovou o acordo, conforme referendo realizado na época. O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe fez uma intensa campanha contra. A título de curiosidade, Juan Manuel Santos já foi ministro da Defesa na gestão uribista. Hoje os dois são adversários políticos.
Apesar de as Farc não serem mais consideradas um grupo terrorista, ainda existe uma dissidência que não aceita romper com as velhas práticas criminosas de narcotráfico, terrorismo, extorsão, recrutamento forçado, sequestro, explosão com carro-bomba etc. Semana passada, um estudante de 22 anos foi assassinado em Barranquillita, por pregar a adolescentes que era possível uma vida fora da guerrilha, noticiou o diário local “El Tiempo”. O que se vê é uma espécie de Farc paralela ou a que criou um novo capítulo. Qual delas seria a impostora? A que se converteu para se reinventar ou a que não aceita a renúncia de si mesma??? Ou a Farc partidária seria um braço político da paramilitar???
A justiça eleitoral colombiana se precipitou ao aceitar a ex-organização terrorista como partido político. Era preciso haver um processo de adaptação. O grupo pode ter, supostamente, rompido com certas práticas, mas não rompeu com o passado e os ideais. Para começar, não se deu ao trabalho de mudar a sigla, apenas o significado. Só precisava de perdão estatal que foi rápido demais, quase uma conversão religiosa.
Dependendo do ponto de vista, as Farc podem estar vencendo essa guerra contra o governo colombiano. Em vez de chegar ao poder pelo paramilitarismo, o fará nos campos político e ideológico, por meio do diálogo e da aparente legalidade. A organização guerrilheira poderá ter trajetória similar a outras do tipo, tais como a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), do ditador nicaraguense Daniel Ortega, e a Frente Farabundo Martí para Libertação Nacional (FMLN), do presidente salvadorenho Salvador Sánchez.
Algo precisava ser feito para acabar com os conflitos armados. Sem dúvida alguma, o presidente Juan Manuel Santos já entrou para a história da nação. Só não se sabe ainda se como promotor da paz ou advogado do diabo. Somente o tempo será capaz de responder.

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