Sexta-feira, 21 de abril de 2017
Imagem: Gustavo Salazar - Presidência da Venezuela /
Reprodução
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| De camisa marrom, o vice-presidente Tarek El-Aissami e de camisa azul, Nicolás Maduro |
“Colômbia é um Estado falido. Setenta anos de guerra, firmaram um acordo de paz graças a [Hugo] Chávez e a mim. Vou revelar todas as gravações e todos os segredos que tenho do processo de paz para que se saibam que zombaram do processo de paz da Colômbia. Vou mostrar a verdade do processo de paz, toda a verdade que tenho de mais de 10 anos, porque me dói como na Colômbia se zombam do processo de paz e seguem matando dirigentes camponeses, estudantis e operários, e estão preparando uma matança contra as Farc. Tenho informação de inteligência que estão preparando uma matança contra os líderes que fizeram um acordo de paz”, acusou.
As acusações de Maduro podem colocar em risco o processo de paz entre o governo colombiano e o grupo terrorista. As ameaças se devem ao fato de o presidente Juan Manuel Santos ter criticado a ‘militarização da sociedade’ na Venezuela, por conta de milícias armadas pró-governo, um dia antes da realização da ‘mãe de todas as marchas’, protestos contra o chavismo na última quarta-feira (19). A data das manifestações coincide com a de início do processo de independência do país em 1810 e a ocasião em que Maduro tomou posse, em 2013, após a morte de seu padrinho político.
“Solicitei à chanceler [María Ángela Holguín] que peça ao secretário-geral da ONU [Antônio Guterres] que esteja atento à preocupante militarização da sociedade venezuelana”, escreveu Santos nas redes sociais.
Para completar, o mandatário colombiano se reuniu ontem (20) com políticos de oposição a Maduro e disse que se Caracas permitisse, que poderia enviar alimentos e medicamentos para ajudar a combater a escassez e a diminuir a grave crise que o país enfrenta. O encontro desagradou ao líder bolivariano.
Nesta sexta-feira (21), Juan Manuel Santos reagiu (abaixo) às declarações de seu par bolivariano: “Este governo e este país têm uma democracia sólida, que respeita poderes públicos e sua independência, assim como a liberdade de expressão”.
Twitter / Reprodução
Este gobierno y este país tienen una democracia sólida, que respeta poderes públicos y su independencia, así como la libertad de expresión— Juan Manuel Santos (@JuanManSantos) 21 de abril de 2017
Santos estava se referindo à recente ação do Tribunal Superior de Justiça (TSJ), aparelhado pelo chavismo, que havia destituído o parlamento, atualmente comandado pela oposição, e também às censuras a meios de comunicação que vêm difundindo reportagens que desagradam ao governo. Na última quarta-feira (19), três canais de TV estrangeiros foram retirados da TV a cabo venezuelana: o colombiano ‘El Tiempo’, o argentino ‘Todo Noticias’ e o espanhol ‘Antena 3’. Todos transmitiam os protestos anti-governo e pró-governo.
No mesmo dia, o prédio da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) – o ente regulador dos meios de comunicação na Venezuela – foi alvo de tiros, os quais o governo atribuiu à ‘direita fascista’.
Vale frisar que, em fevereiro passado, o canal norte-americano ‘CNN en Español’ também foi censurado na Venezuela, após exibir uma reportagem em que vinculava o vice-presidente Tarek El Aissami (foto) à suposta venda de passaportes venezuelanos a terroristas do Hezbollah.
Para completar, o presidente Nicolás Maduro pediu uma investigação contra a operadora de telefonia Movistar, pertencente à espanhola Telefónica, por suposta ‘convocatória golpista’. Os clientes receberiam a cada duas horas atualizações sobre os protestos e quando se fazia buscas na internet com ’19 de abril’, por exemplo, apareciam notícias sobre a ‘mãe de todas as marchas’.
Países como Brasil, Argentina, Estados Unidos, México, Uruguai, além do Marrocos, por exemplo, têm criticado as ações de repressão contra manifestantes contrários ao chavismo. Mas, Caracas não deixou barato contra o país africano:
“(...) É inadmissível que um reino, ocupante de um território submetido a processo de descolonização por parte das Nações Unidas, que exerce comprovadamente práticas altamente repressivas contra cidadãos e cidadãs saarauís (do Saara Ocidental), que sendo um Estado absolutista classificado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com um dos índices de desenvolvimento humano mais baixos do mundo pretenda dar lições nos assuntos internos da Venezuela (...)”, disse um trecho do comunicado do Ministério de Relações Exteriores venezuelano.
Ao contrário do que afirmou Nicolás Maduro, não são 70 anos, e sim 52 anos de atos terroristas por parte das Farc. Apesar de a população ter decidido em referendo, em outubro passado, que não deveria haver nenhum tipo de acordo de paz, o governo prosseguiu e o mesmo entrou em vigor em dezembro último. Por conta disso, o presidente Juan Manuel Santos foi o vencedor do prêmio Nobel da Paz no mesmo ano. As negociações aconteceram em Cuba, por ser considerado um país neutro, por intermédio do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez.

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