Quinta-feira, 30 de março de 2017
Imagem: RecordTV / Twitter / Reprodução
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| Comunicado das televisoras abertas |
A guerra entre a RecordTV, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e a RedeTV! e as operadoras de canais a cabo ganhou um novo capítulo. Os sinais das três emissoras de TV aberta foram cortados para Net, Claro TV, Embratel, Sky e Oi, na Grande São Paulo, a partir da zero hora desta quinta-feira (30/3). Com isso, os clientes de TV por assinatura dessas empresas e dessa região ficam sem tais programações. Eles poderão assisti-las pela antena externa, no site das televisoras ou em aplicativos em smartphones. Somente a Vivo TV continua com as transmissões, porque as negociações avançam de “maneira positiva”.
Acontece que o sinal da TV aberta analógica foi desligado para os municípios da região metropolitana de São Paulo, nessa quarta-feira (29), por decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), após realizar pesquisas que mostraram que 95% dos lares paulistas já assistiam por TV Digital (em HD, sigla em inglês para “alta definição”). O ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, e o presidente da Anatel, Juarez Quadros, assinaram ontem (29) uma portaria, autorizando o desligamento do sinal analógico na região.
As emissoras de TV aberta disponibilizam gratuitamente às operadoras de canais a cabo seu sinal analógico, mas com o sinal em alta definição não são obrigadas. Podem cobrar por isso. RecordTV, SBT e RedeTV! decidiram cobrá-las por seu sinal digital, mas a grande maioria delas se recusa a discutir o assunto.
RecordTV, SBT e RedeTV! alegam questões de direitos autorais e os elevados custos para financiar seus telejornais, novelas, programas e a compra de programações estrangeiras, por exemplo.
Nas redes sociais, as operadoras de TV paga informam a seus clientes não ter nenhuma definição sobre o tema. A Sky, por exemplo, divulgou nota a seus assinantes, comunicando que continuará transmitindo os sinais de outras emissoras de TV aberta, tais como: Rede Globo, Bandeirantes, TV Brasil, TV Cultura, entre outras.
As três televisoras abertas criaram uma “joint-venture” chamada Simba Content, para centralizar a venda de suas programações e de espaço publicitário. Não chega a ser bem uma sociedade, tendo em vista que elas continuam independentes e concorrentes entre si. A empresa sustenta que RecordTV, SBT e RedeTV! detêm boa parte da audiência na TV paga, e que canais internacionais e também nacionais – como a Rede Globo, que é canal aberto – já receberiam por seus sinais digitais.
A Simba Content afirma que não pretende cobrar nenhum centavo dos telespectadores, e sim das operadoras de canais a cabo, porque elas “vendem” seus sinais aos clientes. Quando se vende uma assinatura, o vendedor informa que o comprador terá direito a determinados canais, inclusive o das três em questão.
Para pressionar Net, ClaroTV, Embratel, Sky, Oi e Vivo a negociarem, as três emissoras abertas têm promovido uma intensa campanha em seus programas e telejornais com a hashtag #QueremosContinuarComVc (Queremos continuar com você). Os telespectadores clientes de TVs por assinatura são informados sobre seus direitos de consumidores e da possibilidade de cancelar o serviço, sem cobrança de multa, podendo alegar descumprimento de contrato por parte das empresas. Ou são até mesmo induzidos a fazer pressão, a ligar para as operadoras pedindo desconto no valor da assinatura.
A Anatel instaurou procedimento administrativo para apurar a saída das três emissoras da programação a cabo. As operadoras de TVs por assinatura deveriam ter informado a seus assinantes com pelo menos 30 dias de antecedência que deixariam de exibir os sinais da RecordTV, SBT e RedeTV!.
O sinal analógico será gradativamente desligado em todo o país. O padrão de TV digital começou a ser oferecido aos telespectadores a partir de 2007, quando o Brasil adotou o sistema nipo-brasileiro de televisão de alta definição, em vez do estadunidense ou europeu, por ser mais viável e mais barato para a população. Ao adquirir o modelo japonês, o gigante sul-americano fez adaptações (o software Ginga) para proporcionar interatividade entre telespectadores e emissoras, embora o recurso não seja devidamente explorado, já que depende de internet.
A Anatel tem distribuído conversor digital e antena para os telespectadores com TV analógica, para que não tenham de se desfazer de seus aparelhos. Mas, isso somente para os usuários de programas sociais como o Bolsa Família, por exemplo.
Se as operadoras de canais a cabo não negociarem com as três televisoras abertas, o mesmo poderá ocorrer aos demais assinantes em diferentes estados, à medida que o sinal analógico for desativado.

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