Ditadura de Cuba nega visto ao secretário-geral da OEA, Luis Almagro

Quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Também tiveram o ingresso vetado o ex-presidente do México Felipe Calderon e a ex-ministra da Educação chilena Mariana Aylwin

Imagem: @Amagro_OEA2015 / 
Twitter / Reprodução
Rosa María Payá e Luis Almagro
A ditadura cubana negou visto ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, para que ele pudesse ingressar à ilha centro-americana, para participar de uma cerimônia da Rede Latino-americana de Jovens pela Democracia (Cuba Decide), em que seria o homenageado, nesta quarta-feira (22/2). Ele foi informado pelo consulado cubano em Washington, nos Estados Unidos, sede da organização continental, de que sua entrada seria vetada tanto com o uso do passaporte oficial da OEA quanto pelo de diplomata uruguaio, o de sua nacionalidade, e que o motivo da visita era ‘uma provocação inaceitável’, por considerar que seu cargo daria voz a uma dissidência política.

Cuba Decide é um movimento opositor à regime castrista e hoje é comandado pela ativista Rosa María Payá, filha do falecido oposicionista Oswaldo Payá. A data da entrega da premiação, que leva o nome do pai, coincide com o aniversário de cinco anos de morte dele.

“Reiterei, que de nenhuma maneira minha presença e atividades são anticubanas. Pelo contrário, desejo que Cuba alcance os máximos níveis de desenvolvimento e bem-estar social para o povo, com todos os direitos garantidos para todos os cubanos”, argumentou em vão Almagro.

“A minha preocupação é para que não haja nenhuma repressão nem represália aos organizadores do evento”, instou o dirigente da OEA.

Almagro também sustentou que a liberação do visto poderia causar uma boa impressão às autoridades norte-americanas, no intuito de flexibilizar o embargo comercial imposto a Cuba, uma vez que esta voltou a manter relações diplomáticas com os Estados Unidos no ano passado.

Também tiveram vistos negados o ex-presidente do México Felipe Calderón Hinojosa e a ex-ministra da Educação do Chile Mariana Aylwin, filha do ex-presidente chileno Patricio Aylwin.

Imagem: @felipecalderon / Twitter /
Reprodução
Nas redes sociais, Calderón recebe
manifestações de solidariedade de
ativistas, políticos e internautas
“Lamentavelmente, não poderei estar com vocês na homenagem ao teu admirável pai. A imigração de Cuba solicitou que não me documentem”, disse o ex-mandatário asteca, quem foi notificado pela companhia Aeroméxico de que ele não estaria autorizado a ingressar na ilha caribenha.

A chancelaria mexicana disse lamentar a decisão das autoridades cubanas de não permitir o ingresso de Felipe Calderón.

“O transtorno vivido e a violação de direito básico de uma democracia não são nada em comparação ao sofrimento dos cubanos privados de toda liberdade; além do fato pessoal, a decisão de impedir viajar e realizar a entrega de um prêmio viola princípios democráticos fundamentais; apoiar que pessoas sejam inadmissíveis em Cuba, que diferença faz com que [o presidente Donald] Trump impeça o ingresso de imigrantes nos Estados Unidos? Não são democratas”, comparou Mariana Aylwin.

O Ministério de Relações Exteriores do Chile também criticou a decisão do governo cubano e disse que apresentaria uma nota para manifestar o ‘mal estar’.

Nas redes sociais, a dissidente cubana Yoani Sánchez disse que dois repórteres, que cobririam o evento, estavam, supostamente, detidos pelas autoridades de imigração.

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