Chavistas e Cuba conspiraram para tomar o poder de Hugo Chávez, diz jornal

Quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Imagem: Correo del Orinoco / Reprodução
Cena ocorreu em 2011, uma semana
depois que Chávez foi operado em Cuba
O ano era 2012. O então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já padecia de câncer na região pélvica, descoberto no ano anterior em viagem a Havana. Não tinha morrido. Mas, alguns de seus fieis colaboradores já o davam por morto-vivo e estariam agindo como urubus à espera da carniça. Reportagem do site ‘El Nuevo Herald’, desta semana, afirmou que alguns chavistas – entre eles o presidente Nicolás Maduro, seu recém-nomeado vice-presidente Tareck El Aissami e o ex-chanceler Elías Jaua – junto ao governo cubano estariam, supostamente, mancomunados a tomar o poder. Para quem não se lembra, Jaua foi o tal ministro que esteve no Brasil em 2014 e causou polêmica numa parceria mal explicada com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Por meio de um dossiê apresentado pelo então presidente da Assembleia Nacional, o deputado Diosdado Cabello, membro do 4F, Chávez tomou conhecimento do caso e os afastou de seu núcleo político. Lançou Maduro como candidato a governador do estado de Carabobo, El Aissami para o estado de Táchira e Jaua para Miranda. El Aissami, temendo uma derrota, optou vir candidato pelo estado de Aragua, onde venceu. O 4F é um movimento ligado ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), cuja referência é o dia 4 de fevereiro de 1992, quando o bufão bolivariano tentou dar um golpe militar, mas fracassou.

O 4F estava preocupado com a forte dominação do governo cubano sobre a Frente Francisco de Miranda, que tinha como membros Nicolás Maduro, Tareck El Aissami e Elías Jaua. A organização usava sua influência política para colocar pessoas de confiança em cargos chaves no governo e, assim, exercer o controle sobre o chavismo. A entidade foi criada por Hugo Chávez e Fidel Castro em Cuba, em 2003, para lutar contra o ‘imperialismo’. A influência que as autoridades centro-americanas exerciam sobre a Frente Francisco de Miranda era maior do que a exercida ao próprio Hugo Chávez.

A Frente Francisco de Miranda tinha por objetivo criar uma campanha de descrédito contra o major-general Miguel Rodríguez Torres. “Raúl e Fidel não tinham controle sobre Miguel Rodríguez Torres, porque ele deprecia os cubanos”, contou ao periódico o ex-assessor Esteban Gerbasi.

Maduro, que de ministro de Relações Exteriores havia se tornado vice-presidente, teria recorrido a Cuba, para convencer Chávez a mudar de ideia e não lançá-lo como candidato a governador de Carabobo. Ao que parece, deu certo, porque ao final de 2012, antes de sua viagem sem volta para Havana, o então líder bolivariano sinalizou Nicolás Maduro como seu sucessor. A morte oficial de Chávez é de 5 de março de 2013, embora acredita-se que tenha falecido antes. Pouco mais de um mês, ele foi eleito, numa votação com fortes suspeitas de fraude, com mais de 1,8 milhão de votos falsos.

É importante destacar que para Cuba, controlar o chavismo era garantir a própria sobrevivência ante um cenário ainda de bloqueio econômico por parte dos Estados Unidos. Os irmãos Castro, além de oferecer consultoria política e vender uma ideologia comprovadamente fracassada, forneciam profissionais de saúde à Venezuela pelo programa Mais Médicos, em troca de barris subsidiados de petróleo, por exemplo, em negociações que nunca foram às claras, mas que ajudaram a quebrar o país e a colocá-lo numa inflação de quase 200% ao ano.

Para a oposição, o atual vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, nomeado na semana passada por Maduro, teve rápida ascensão no chavismo e é investigado nos Estados Unidos por suposto nexo com o narcotráfico, junto com Diosdado Cabello. El Aissami também é investigado por suposto elo com o Hezbollah para a América Latina.

Para a oposição, El Aissami é quem estaria de fato no comando do país, já que Maduro foi declarado pelo Legislativo, simbolicamente, não sendo mais presidente da República, por ter abandonado o cargo, quando não agiu para combater a grave crise econômica que afeta os venezuelanos. As decisões do parlamento são constantemente invalidadas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), cujos magistrados se tornaram cúmplices do chavismo.

Deixe seu comentário

Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.

O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.