Quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Imagem: Correo del Orinoco / Reprodução
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| Cena ocorreu em 2011, uma semana depois que Chávez foi operado em Cuba |
Por meio de um dossiê apresentado pelo então presidente da Assembleia Nacional, o deputado Diosdado Cabello, membro do 4F, Chávez tomou conhecimento do caso e os afastou de seu núcleo político. Lançou Maduro como candidato a governador do estado de Carabobo, El Aissami para o estado de Táchira e Jaua para Miranda. El Aissami, temendo uma derrota, optou vir candidato pelo estado de Aragua, onde venceu. O 4F é um movimento ligado ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), cuja referência é o dia 4 de fevereiro de 1992, quando o bufão bolivariano tentou dar um golpe militar, mas fracassou.
O 4F estava preocupado com a forte dominação do governo cubano sobre a Frente Francisco de Miranda, que tinha como membros Nicolás Maduro, Tareck El Aissami e Elías Jaua. A organização usava sua influência política para colocar pessoas de confiança em cargos chaves no governo e, assim, exercer o controle sobre o chavismo. A entidade foi criada por Hugo Chávez e Fidel Castro em Cuba, em 2003, para lutar contra o ‘imperialismo’. A influência que as autoridades centro-americanas exerciam sobre a Frente Francisco de Miranda era maior do que a exercida ao próprio Hugo Chávez.
A Frente Francisco de Miranda tinha por objetivo criar uma campanha de descrédito contra o major-general Miguel Rodríguez Torres. “Raúl e Fidel não tinham controle sobre Miguel Rodríguez Torres, porque ele deprecia os cubanos”, contou ao periódico o ex-assessor Esteban Gerbasi.
Maduro, que de ministro de Relações Exteriores havia se tornado vice-presidente, teria recorrido a Cuba, para convencer Chávez a mudar de ideia e não lançá-lo como candidato a governador de Carabobo. Ao que parece, deu certo, porque ao final de 2012, antes de sua viagem sem volta para Havana, o então líder bolivariano sinalizou Nicolás Maduro como seu sucessor. A morte oficial de Chávez é de 5 de março de 2013, embora acredita-se que tenha falecido antes. Pouco mais de um mês, ele foi eleito, numa votação com fortes suspeitas de fraude, com mais de 1,8 milhão de votos falsos.
É importante destacar que para Cuba, controlar o chavismo era garantir a própria sobrevivência ante um cenário ainda de bloqueio econômico por parte dos Estados Unidos. Os irmãos Castro, além de oferecer consultoria política e vender uma ideologia comprovadamente fracassada, forneciam profissionais de saúde à Venezuela pelo programa Mais Médicos, em troca de barris subsidiados de petróleo, por exemplo, em negociações que nunca foram às claras, mas que ajudaram a quebrar o país e a colocá-lo numa inflação de quase 200% ao ano.
Para a oposição, o atual vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, nomeado na semana passada por Maduro, teve rápida ascensão no chavismo e é investigado nos Estados Unidos por suposto nexo com o narcotráfico, junto com Diosdado Cabello. El Aissami também é investigado por suposto elo com o Hezbollah para a América Latina.
Para a oposição, El Aissami é quem estaria de fato no comando do país, já que Maduro foi declarado pelo Legislativo, simbolicamente, não sendo mais presidente da República, por ter abandonado o cargo, quando não agiu para combater a grave crise econômica que afeta os venezuelanos. As decisões do parlamento são constantemente invalidadas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), cujos magistrados se tornaram cúmplices do chavismo.

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