O presidente do mundo

Quarta-feira, 09 de novembro de 2016

Donald Trump é eleito presidente dos Estados Unidos

Imagem: Michael Vadon /
Copiada do site Fotos Públicas
Seu governo é uma incógnita,
já que nunca assumiu cargo político
A vitória do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos Donald Trump (foto) reforça o que parece uma distopia num mundo em constante processo de globalização: a onda de neoconservadorismo a que estão predispostos os Estados Unidos e o Brasil, ou quiçá o mundo. O resultado da eleição foi divulgado na manhã desta quarta-feira (9/11). A data já está sendo comparada de maneira invertida ao 11/9, alusão ao trágico 11 de setembro de 2001, o do atentado às torres gêmeas do World Trade Center que deixou cerca de três mil mortos. Para muitos, seu êxito pode significar uma tragédia para o país.

“A América para os americanos”

A campanha do magnata foi marcada por insultos, ofensas, machismo, misoginia e xenofobia contra os latinos. Despertou o preconceito latente nos americanos. Trump chegou a comparar os imigrantes mexicanos a “estupradores” e disse que se fosse eleito, construiria um muro na fronteira para separar os Estados Unidos do México. Seus discursos discriminatórios fizeram com que os canais de TV Univisión e NBC – ambas voltados para o mercado hispano-americano – suspendessem contratos de transmissão dos concursos Miss USA e Miss Universo, os quais pertencem ao empresário.

Trump venceu com a promessa de uma “América grande” para os americanos, principalmente no que diz respeito à economia e à geração de empregos. Apelou para o sentimento de patriotismo para derrotar a candidata democrata Hillary Clinton. Enquanto a doutrina Monroe, do presidente homônimo, tinha como política externa transformar o continente em seu quintal sob o lema “a América para os americanos”, a promessa do sucessor de Barack Obama é devolver de outro modo a América (nação) para os americanos, valorizando as empresas nacionais e os postos de trabalho para os cidadãos daquele país, tendo em vista que muitos são ocupados por imigrantes legais e/ou ilegais.

Críticas

Ver pessoas de várias partes do mundo criticando nas redes sociais a votação norte-americana dá a impressão de que a eleição era para presidente do mundo. De fato, a política norte-americana pode influenciar positiva ou negativamente a política e a economia a nível global, a ponto de fazer com que sua eleição seja acompanhada atenta e apreensivamente em todo o planeta. No entanto, a eleição era para presidente dos Estados Unidos. Portanto, cabe ao cidadão estadunidense saber o que é melhor para si, embora pareça ruim aos olhos de quem está de fora.

Todavia, é difícil saber o que é pior: se ler as críticas de pessoas de esquerda ou as comemorações de quem são de direita que jamais pisaram nos Estados Unidos. Fica a sensação de que há um certo complexo de vira-latas.

Brasileiros que um dia elegeram Fernando Collor de Mello, Lula, Dilma Rousseff para presidentes, ou Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão para governadores, por exemplo, não têm moral para criticar o voto dos americanos. Tudo isso sem contar senadores, deputados e vereadores. A lista é bem maior do que se imagina. Porque se os americanos vão ficar na mer..., nós, brasileiros, nunca saímos dela.

Bolsas de valores em todo o mundo tiveram queda, logo após a confirmação do resultado de que o magnata havia vencido. Há muitas incertezas políticas, inclusive os prognósticos pareciam favoráveis a Clinton, quem já foi senadora e secretária de Estado, além de contar com o apoio direto do presidente Obama.

A onda neoconservadora no Brasil

Se o conservadorismo se caracteriza por um pensamento direitista na defesa da família heterossexual, dos valores cristãos e dos bons costumes, o neoconservadorismo chega para se reposicionar e fazer afronta diante de uma política – usurpada pela esquerda – em defesa dos direitos humanos, do aborto, dos direitos das mulheres, dos negros e da população LGBT.

No Brasil, por exemplo, a vitória do bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) Marcelo Crivella (PRB-RJ) para a prefeitura do Rio de Janeiro demonstra isso. Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), foi o candidato a vereador mais votado em sua reeleição no município do Rio. Essa tendência tem se demonstrado, ao menos, desde 2014, quando o Bolsonaro pai foi o candidato a deputado federal mais votado pelos eleitores fluminenses. Se a coisa continuar como está, é bem capaz que Jair Bolsonaro chegue à presidência da República nas eleições de 2018. Algumas pesquisas o mostram entre 7% a 14% das intenções de voto. A vitória de Trump pode influenciar uma ascensão dessa direita mais radical ou mais conservadora.

Só para deixar claro: essa onda não surgiu com Trump. Apenas ganhará força com ele. A nova direita tem a seu favor o fracasso do socialismo na América Latina.

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