Domingo, 17 de julho de 2016
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| Ainda bem que ele não disse que os pacientes do SUS sofrem de hipocondria |
“A maioria das pessoas chega ao posto de saúde ou ao atendimento primário com efeitos psicossomáticos. Por que 50% dos exames laboratoriais não são retirados pelos interessados? Por que 80% dão resultado normal? Porque foram pedidos sem necessidade”, teria dito o ministro, segundo o diário paulista.
“Se (o paciente) não sair ou com receita ou com pedido de exame, ele acha que não foi ‘consultado’. Isso é uma cultura do povo, mas acho que todos nós temos de ajudar a mudar, porque isso não é compatível com os recursos que temos”, continuou Barros.
O presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Antônio Carlos Lopes, rebateu o ministro: “De maneira geral, qualquer unidade de saúde terá 70% dos exames com resultado normal. Isso acontece porque o paciente não é bem examinado, não é bem interrogado, e são solicitados exames errados. Ou, então, na rede pública, o exame demora tanto para ficar pronto que, até lá, o paciente já sarou e não foi tirar o resultado”.
Ou também, o resultado do exame demora tanto, que o paciente acaba tendo de procurar atendimento na rede privada, pagando uma nota, para não morrer sem saber do que padecia.
Em nota, o Ministério da Saúde contestou a reportagem do ‘Estadão’, e disse que a expressão ‘imaginação’ não foi utilizada pelo ministro, e que ele teria dito que boa parte dos pacientes sofria de doenças psicossomáticas, podendo estar ligada a ‘diferentes contextos do paciente’.
Ainda bem que o ministro Ricardo Barros não disse que os que procuram o SUS são hipocondríacos.
Em maio passado, o ministro Ricardo Barros disse, em entrevista à ‘Folha de São Paulo’, que não poderia garantir o acesso universal à saúde pelo SUS como determina a Constituição, ao dar a entender que poderia haver mudanças.
“A Constituição cidadã, quando o [então presidente José] Sarney sancionou, o que ele falou? Que o Brasil iria ficar ingovernável. Por quê? Porque só tem direitos lá, não tem deveres. Nós não vamos conseguir sustentar o nível de direitos que a Constituição determina.
Vamos ter que repactuar, como aconteceu na Grécia, que cortou aposentadorias, e em outros países que tiveram que repactuar as obrigações do Estado, porque ele não tinha mais a capacidade de sustentá-las”, declarou Barros na ocasião.
Também em maio passado, o ministro da Saúde disse que não iria controlar a qualidade dos planos de saúde, de acordo com o ‘Estadão’.
A título de curiosidade, o maior doador da campanha eleitoral de Ricardo Barros para deputado federal em 2014 pelo Partido da República (PR) foi um plano de saúde. Para ser mais exato, o Grupo Aliança, que segundo a revista ‘Época’, contribuiu com R$ 100 mil.
OPINÓLOGO não é médico, mas, diante de eventuais ‘más interpretações’ às falas do ministro, passa a seguinte ‘receita’: que ele faça um curso de media training, para que suas declarações não sejam interpretadas de forma ‘psicossomática’, considerando os ‘diferentes contextos’: 1) de que ele foi, supostamente, patrocinado por um plano de saúde; 2) alimenta o discurso petista de que o suposto ‘golpe’ contra a presidente afastada Dilma Rousseff seria para acabar com os direitos da população.

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