Quarta-feira, 23 de março de 2016
O ministro Milton Rondó Filho, responsável pela área de combate à fome do Itamaraty, enviou telegramas a embaixadas e representações diplomáticas do Brasil no exterior, para alertar sobre um suposto ‘golpe’ em curso no país com um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na prática quer dizer que ele se utilizou da máquina pública para proselitismo a favor do Partido dos Trabalhadores (PT), defendendo ideais político-partidários em detrimento dos interesses nacionais.
A mensagem instava que cada diplomata conversasse com movimentos sociais locais para conseguir apoio ao governo. Depois que os telegramas foram disparados, a Secretaria-Geral do Ministério de Relações Exteriores abortou a missão na última sexta-feira (18/3). Senadores da oposição criticaram a atitude de Rondó Filho.
“A ideia era espalhar pelo mundo que há um golpe em curso aqui no Brasil e que os governos e a sociedade civil do mundo inteiro se solidarizassem com o PT. Isso parece patético, mas merece uma explicação formal por parte do Itamaraty. A democracia brasileira vai muito bem, as instituições estão funcionando, cumprindo com suas responsabilidades, inclusive o Congresso brasileiro”, criticou o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), quem convocou o chanceler Mauro Vieira a prestar esclarecimentos diante da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da casa.
“Não sabíamos que existia, quais são as suas atribuições, quem é o seu diretor e qual é o orçamento, quais são as suas atividades. É um departamento praticamente secreto, para mim verdadeiramente absurdo, dentro do Itamaraty, que nós acabamos de descobrir a existência, e que, ao invés de combater a fome, parece-nos, está fazendo um papel de pregação ideológica”, opinou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
“O secretário-geral [Sérgio Danese] tão logo tomou conhecimento do fato, mandou outro telegrama circular para todas a embaixadas falando que não tinha nenhuma posição oficial do Itamaraty nesse sentido”, tentou amenizar o senador Jorge Viana (PT-AC).
“O que vai começar é uma campanha em todo o mundo para denunciar esse golpe. O impeachment sem base jurídica, sem crime de responsabilidade é golpe”, declarou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
Sem conseguir reverter a onda de insatisfação popular, por conta do Mensalão e da Lava-Jato, resta utilizar-se de entidades no exterior como massa de manobra para tentar influenciar a opinião pública aqui no Brasil.
Por falar nisso, recentemente, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) intervisse para tentar ajudar Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No último dia 4 de março, ele foi conduzido coercitivamente a depor à Polícia Federal durante a 24ª fase da operação Lava-Jato, cujo desdobramento foi batizado de operação ‘Aletheia’, que significa ‘a busca da verdade’.
Por falar nisso, recentemente, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) intervisse para tentar ajudar Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No último dia 4 de março, ele foi conduzido coercitivamente a depor à Polícia Federal durante a 24ª fase da operação Lava-Jato, cujo desdobramento foi batizado de operação ‘Aletheia’, que significa ‘a busca da verdade’.
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