Terça-feira, 25 de agosto de 2015
Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados – para investigar a roubalheira na Petrobras –, o doleiro Alberto Youssef reafirmou, nesta terça-feira (25/8), o que a revista ‘Veja’ havia noticiado às vésperas do segundo turno da última eleição presidencial: que tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, supostamente, tinham conhecimento do esquema.
“Essa percepção [de que Dilma e Lula soubessem] eu tinha pelo que eu ouvia nas conversas e também porque Paulo Roberto Costa conseguia sinalizações do Planalto”, contou.
“Isso o fazia se sentir mais seguro?”, questionou o deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB-BA).
“Mas eu nunca conversei com ela nem com Lula sobre esse tipo de coisa na Petrobras e não posso dizer que ela sabia”, interrompeu o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, durante a sessão de acareação entre os dois principais réus do Petrolão, esquema que, supostamente, beneficiou os partidos Progressista (PP), Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e o dos Trabalhadores (PT).
Em outubro passado, o semanário paulista foi acusado de tentar interferir no processo eleitoral e de ‘golpismo,’ ao revelar que os dois petistas estariam cientes do caso. Os dois sempre negaram a acusação.
Doleiro acusa parlamentar de tentar intimidá-lo
Durante a audiência, Youssef acusou o deputado federal Celso Pansera (PMDB-RJ), integrante da CPI, de intimidação. Ao responder ao deputado federal João Henrique Caldas (SD-AL) – conhecido como JHC – se o parlamentar estaria presente, o doleiro confirmou: “Está aqui e não está aqui para investigar, mas para fazer intimidações, o que é triste porque eu sou um colaborador e estou aqui para dizer a verdade”.
Sem nominar o suposto intimidador, foi interrompido por Pansera que perguntou quem seria. “É o senhor!!!”, respondeu o doleiro ao peemedebista, que negou a acusação.
O deputado Celso Pansera protocolou requerimentos, instando a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da ex-esposa e das duas filhas do doleiro. “O senhor sabe que minhas filhas e minha ex-mulher não têm envolvimento em ilegalidades, nunca tiveram contas fantasmas”, expressou Youssef.
Pansera – junto com o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) – foi o autor do pedido de acareação entre Youssef e Paulo Roberto Costa na CPI.
Em julho passado, Youssef relatou ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da operação Lava-Jato, que estaria sendo intimidado por um ‘pau mandado’ do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Este parlamentar é investigado por ter, supostamente, recebido propina de US$ 5 milhões para não melar contratos da Petrobras com o estaleiro Samsung. Na semana passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, processou Cunha formalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Porém, a denúncia ainda não foi aceita, pois o parlamentar recebeu prazo de 15 dias para se defender.
Youssef também confirmou ter recebido R$ 9 milhões como propina, por ter intermediado a compra da empresa Quattor (fusão das petroquímicas Suzano e Unipar) pela Braskem, uma subsidiária da Odebrecht.
O doleiro reafirmou o pagamento de suborno de R$ 10 milhões pela construtora Camargo Correia ao então presidente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Sérgio Guerra, morto em 2014, para evitar uma CPI no Congresso.
Youssef tinha obtido habeas corpus junto ao ministro Teori Zavascki, do STF, para que pudesse ficar sem responder aos questionamentos na CPI.
A Polícia Federal acusa o doleiro de ter cometido o crime de evasão de divisas 3.649 vezes e ter enviado para o exterior US$ 450 milhões entre 2011 e 2013.
Ex-diretor da Petrobras culpa a estatal pela aquisição de petrolífera nos EUA
A respeito da aquisição mal explicada de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, por mais de US$ 1 bilhão, entre 2006 e 2010, Costa disse que a responsabilidade seria do Conselho de Administração da Petrobras, na época presidido pela então ministra Dilma Rousseff. É importante frisar que a petrolífera no Texas só valia US$ 42,5 milhões.
Postar um comentário
Sua opinião será publicada, logo que aprovada, conforme Política de Uso do site.
O OPINÓLOGO agradece o seu comentário.