Mujica: o socialista que reconhece o fracasso do socialismo

Terça-feira, 30 de junho de 2015

Aos 80 anos, o ex-presidente do Uruguai José Mujica está velho. Não gagá. Dotado de uma lucidez crítica, reconheceu o que qualquer pessoa sã já sabia: que o socialismo é um fracasso.

“Eu o adverti [a Hugo Chávez] desde o princípio, quando assumiu a presidência da Venezuela, que não ia construir o socialismo. E não construiu um cara...”, contou o uruguaio no livro 'Una Oveja Negra al Poder' (em tradução literal significa: 'Uma Ovelha Negra no Poder'), conforme destacou o diário colombiano 'El Tiempo'.

Mujica, que atualmente é senador, também disse que o falecido líder caraquenho teria tirado muita gente da pobreza, mas admitiu que o capitalismo é essencial para o desenvolvimento de uma nação. “Por mais merda que seja o capitalismo, é o que ajuda a crescer”. Sustentou nunca ter acreditado no modelo cubano de comunismo.

As declarações do político uruguaio têm um significado maior do que se imagina: é de alguém que ainda se considera um socialista e com uma aparente humildade em reconhecer a questão. E não de um ex-socialista. Só falta saber se a esquerda o perdoará por tamanha 'infâmia'. Afinal de contas, destruiu a maior das utopias ou a pior de todas as mentiras, a de que o comunismo pode dar certo.

Mujica também fez a gentileza de relatar o que já se imaginava: que o governo brasileiro – em especial o de Dilma Rousseff – teria, supostamente, interferido para que o Paraguai fosse expulso do Mercado Comum do Sul (Mercosul), em 2012, por causa da decisão do Congresso guarani que votou pela perda do cargo do então presidente Fernando Lugo. Governos socialistas da região trataram logo de tachá-la um golpe, para justificar medidas antidemocráticas e, assim, conseguir a adesão da Venezuela ao bloco. Pois, dependia do parlamento paraguaio a aceitação, já que o dos demais países tinha concordado.

Durante o governo do colombiano Alvaro Uribe, o presidente russo, Vladmir Putin, teria oferecido apoio militar a Hugo Chávez contra Bogotá, caso precisasse. Na época, as duas nações sul-americanas romperam as relações diplomáticas, devido à presença militar dos Estados Unidos na Colômbia, o que incomodava o mandatário bolivariano. É o que narram os escritores no livro supracitado.

Sem papas na língua, como já demonstrou em várias ocasiões, teria dito que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, supostamente, o confessou saber do Mensalão, o escândalo de corrupção cujo intuito era a compra de apoio político ao governo. No entanto, a história foi desmentida, e houve uma tentativa de induzir a opinião pública a acreditar que tinha sido um erro ou má fé do jornal 'O Globo', quando, na verdade, a informação partiu do semanário uruguaio 'Búsqueda, o qual trabalham os dois autores de sua biografia.

Em novembro passado, por exemplo, Mujica disse que o México tinha instituições 'podres' e 'falidas', em crítica ao sequestro seguido de matança de 43 estudantes normalistas em Ayotzinapa, em setembro de 2014.

Em 2013, sem saber que o microfone estava ligado, falou que a presidente argentina, Cristina Kirchner' era 'pior que um vesgo'. Porque para conseguir algo de seu país, tinha que conversar antes com o Brasil para tentar intermediar as coisas.

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