Terça-feira, 09 de dezembro de 2014
Taxista que devolveu ingressos da Copa do Mundo de 2014 a seus donos é homenageado na ONU
Mensalão, Máfia dos Correios, “Petrolão”, Máfia dos Sanguessugas e Propinoduto são exemplos de casos investigados, amplamente noticiados na imprensa brasileira e estrangeira e que ajudam a enredar o universo de suposta corrupção no país. Afinal de contas, não há um dia sequer que o cidadão não se depare com um novo escândalo desse tipo. Entre certas investigações sem punições por suposta falta de provas, legislação ultrapassada e CPIs que não dão em nada – que apenas servem de instrumento de chantagem e maculação da própria política – existe um consenso de que o Brasil é corrupto, além da descrença na polícia, na Justiça, enfim, no próprio sistema por inércia ou abuso de poder em determinadas situações.
Tal perspectiva em relação ao Brasil o colocou, em 2014, na posição de número 69, com um índice de 43 pontos, numa lista sobre a percepção que se tem sobre corrupção com 175 nações, de acordo com a ONG Transparência Internacional em estudo divulgado há alguns dias. O ranking é compartilhado com a Itália, Grécia, Suazilândia, Romênia e Bulgária. O índice varia numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 pontos (altamente transparente). Note-se que a lista é decrescente. Quanto pior o ranking, maior é a percepção sobre a corrupção. Entre os países sul-americanos analisados, Chile e Uruguai foram considerados os mais honestos com 73 pontos e na posição de número 21, enquanto a Venezuela, o mais corrupto com 19 pontos e na posição de número 161.
Provavelmente, os escândalos envolvendo a Petrobras reforçaram a imagem do país mundo afora sobre a corrupção. O tema gira principalmente em torno da: perda de valor de mercado, resultando na falta de confiança de investidores; a suposta grana saqueada; o mau investimento na aquisição da petrolífera de Pasadena, no Texas (EUA); as investigações feitas pela Justiça estadunidense; e a dúvida se a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, outrora presidente do Conselho de Administração da petrolífera – atual presidente da República –, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam ou não do que acontecia na empresa, conforme publicado pela revista “Veja”, às vésperas do segundo turno das eleições deste ano.
Nessa segunda-feira (8/12), o taxista Adilson Luiz da Cruz, de 43 anos, morador de São Paulo, foi homenageado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em Brasília, por “seu comportamento ético”, segundo a “Folha de São Paulo”. Pois, em junho passado, durante a Copa do Mundo de 2014, ele achou 40 ingressos para o evento em seu carro e os devolveu aos verdadeiros donos. A cerimônia marcou início das comemorações do Dia Internacional de Combate à Corrupção, que é nesta terça-feira (9).
Exemplos como o desse trabalhador deveriam ser frequentes, e não uma exceção. Pode-se dizer que Adilson Cruz seria uma “maçã boa” num cesto podre, ou o inverso: que seria uma espécie de “ovelha negra” quando a corrupção parece estar tão entranhada e tácita perante os brasileiros que, quando aparece uma situação oposta, vira destaque, quase um fenômeno.
Tem-se a sensação de que o Brasil é um Estado em decadência, que diariamente passa por um processo de decomposição moral. Mas, até onde pode ainda descer??? Antes que haja oportunismo, é preciso salientar que não é uma nova constituinte ou uma reforma política que resolverá os problemas do país, mas os de quem quer que eles sejam esquecidos.
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