Sábado, 01 de novembro de 2014
Mais de 30 mil já a assinaram em apenas quatro dias
Imagem: Casa Branca / Reprodução
Uma petição (foto) criada no portal da Casa Branca – sede do governo estadunidense –, no último dia 28 de outubro, pede uma espécie de posicionamento/intervenção do presidente Barack Obama a respeito da reeleição da presidente Dilma Rousseff.
“No dia 26/10, Dilma Rousseff foi reeleita, e continuará o plano de seu partido para estabelecer um regime comunista no Brasil – nos moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo. Sabemos que, aos olhos da comunidade internacional, a eleição foi plenamente democrática, mas as urnas utilizadas não são de confiança, além do fato de os chefes do Poder Judiciário serem, na sua maioria, membros do partido vencedor. As políticas sociais também influenciaram a escolha do presidente, e as pessoas foram ameaçadas de perder o seu subsídio de alimentação se não reelegesse Dilma. Chamamos uma posição da Casa Branca em relação à expansão comunista na América Latina. O Brasil não quer e não vai ser uma nova Venezuela, e os EUA precisam ajudar aos promotores da democracia e da liberdade no Brasil”, diz o texto.
Pouco se sabe sobre o autor dessa petição. Ele ou ela aparece identificado pelas iniciais F e P. Nos Estados Unidos, qualquer cidadão pode criar um abaixo-assinado. No entanto, isso não representa nenhuma garantia de que o governo vai atendê-lo, e sim que poderá se manifestar ou não sobre tal solicitação. A regra exige 100 mil assinaturas num prazo máximo de 30 dias. Até o presente momento, pelo menos 32.251 pessoas já a aderiram.
Lá, os cidadãos costumam criar petições para as coisas mais simples até as mais complexas e/ou bizarras. Em 2012, por exemplo, logo após a reeleição de Barack Obama, americanos dos estados onde venceu o candidato Mitt Romney pediram a independência do restante do país. O movimento teve início na Lousianna e se espalhou pelo Alabama, Tennessee, Indiana, Texas, Geórgia, Missouri e Carolina do Norte. Por incrível que parecesse apenas reação da oposição, até em estados onde o mandatário venceu, houve abaixo-assinados: na Califórnia, em Nova Iorque, Michigan, Ohio e Havaí, sua terra natal. Não deu em nada. Dois anos se passaram, a bandeira do país continua com 50 estrelinhas, e ainda poderia ter mais uma: Porto Rico, cuja população caribenha votou favorável à anexação aos Estados Unidos, em 2012. Falta a aprovação do Congresso norte-americano.
Breve análise
A petição contra a governante brasileira não vai dar em nada. Chega a ser patético o apelo a governos estrangeiros para uma eleição que ocorreu de maneira democrática. Até onde se sabe, no momento, o Brasil não está sob qualquer violação de direitos humanos ou de outro tipo que merecesse uma intervenção. Isso poderia ser interpretado como uma ingerência.
O irônico nisso tudo é que o povo costuma criticar os Estados Unidos por se 'intrometerem' em tudo quanto é país. Mas, quando a coisa aperta, é para lá que pedem socorro.
O irônico nisso tudo é que o povo costuma criticar os Estados Unidos por se 'intrometerem' em tudo quanto é país. Mas, quando a coisa aperta, é para lá que pedem socorro.
Recentemente, internautas pediram ao Exército, em sua página no facebook, uma intervenção militar
O portal da ONG Avaaz, em sua versão em português, também disponibiliza uma petição, pedindo o impeachment de Dilma Rousseff. Embora tenha sido criada em junho de 2013, durante a onda de protestos que disseminou pelo país, ganhou força em outubro agora após a reeleição. OPINÓLOGO visualizou 1.451.247 assinaturas, às 20h03 deste sábado (1/11). Há poucos dias, o contador que marca o número de adesões apresentava um suposto problema. Inclusive, causando a diminuição no número de assinaturas.
Conforme já mostrado por OPINÓLOGO, a petista teve um percentual de voto menor do que em 2010, quando disputou o posto pela primeira vez. Além do grau de insatisfação popular com o Partido dos Trabalhadores (PT), cujos membros são mencionados em escândalos de suposta corrupção, há um temor por parte do eleitorado que votou contra, de que o país se converta em uma republiqueta venezuelana.
Pelo menos 2,5 mil pessoas participaram de um protesto hoje (1), em São Paulo, para pedir o impeachment da presidente da República, segundo o 'Estadão'. Evento similar foi marcado para a mesma data em algumas regiões do país, tais como: Rio de Janeiro, Curitiba e Manaus. Não há informações sobre o número de participantes.
Na última quinta-feira (30/10), o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) requereu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma 'auditoria especial' no processo eleitoral, ao alegar supostas irregularidades no segundo turno, no dia 26 de outubro, sem citar quais. Não se sabe se o órgão o atenderá. Uma possível negativa poderia desatar mais insatisfação popular e gerar mais desconfiança.
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