Colômbia: militares são sequestrados e governo suspende negociação de paz com as Farc

Segunda-feira, 17 de novembro de 2014


Imagem: Presidência da Colômbia / Javier Casella / Reprodução
Hoje, presidente, Santos era ministro da Defesa

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, decidiu suspender a viagem que sua equipe de governo faria a Cuba, nesta segunda-feira (17/11), para mais uma rodada de negociação do processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Pois, três militares foram sequestrados, neste domingo (16), no Departamento de Chocó, ao nordeste do país. As vítimas são: o general do Exército Rubén Darío Alzate Mora, o cabo Jorge Rodríguez Contreras e a advogada e oficial para Projetos Especiais Gloria Urrego.

“As Farc, já sabemos, foram os responsáveis pelo sequestro totalmente inaceitável. Já temos informação (…); amanhã viajavam os negociadores para mais uma rodada de negociação em Havana. Vou dizer a esses negociadores que não viajem, e que se suspende essa negociação até que se aclare [o sequestro] e se libertem essas pessoas”, declarou o mandatário.

O governo responsabilizar a frente de número 34 da organização criminosa pelo sequestro dos militares, em missão na região. Em coletiva de imprensa no Ministério da Defesa (foto), Santos afirmou que os militares não estariam armados e estavam como civis, e questionou porque o general não foi acompanhado por sua escolta.

As discussões em torno de um processo de paz entre o governo e a guerrilha começaram em 2012, em Havana, por intermédio do então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morto em 2013. O conflito dura mais de meio século.

A organização terrorista é mencionada na imprensa como autora de assassinatos, explosões com carros-bomba e sequestros, entre eles o da ex-senadora e ex-candidata à Presidência da República Ingrid Betancourt, que durou mais de seis anos.

Ao que parece, as Farc, supostamente, integrariam o Foro de São Paulo, o tal grupo de trabalho criado pelos ex-presidentes do Brasil, Lula, e de Cuba, Fidel Castro, e que reúne partidos de esquerda. O que parecia uma desconfiança foi confirmado com exaltação por Hugo Chávez em determinada ocasião.

Em 2010, as Farc foram acusadas de tentar prejudicar as eleições. Os militares teriam encontrado pelo menos 4.500 quilos de explosivos e 70 minas que seriam detonados.

Também, em 2010, a Venezuela cortou relações diplomáticas com a Colômbia, durante o governo de Álvaro Uribe – cujo ministro da Defesa é o atual presidente –, depois que Bogotá apresentou supostas provas na Organização dos Estados Americanos (OEA) de que a organização criminosa atuava na nação vizinha, o que foi negado por Caracas. Com a vitória de Juan Manuel Santos, a amizade entre ambas foi restaurada.

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