Eleições 2014: TV Record cancela debate para governador do RJ no 2º turno

Sábado, 18 de outubro de 2014

Informação atualizada em 22/10/2014, às 4h42

Em substituição, promoverá o debate presidencial entre Aécio Neves e Dilma Rousseff

A Rede Record cancelou o debate que faria, no próximo domingo (19/10), com os candidatos Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) ao 2º turno da eleição para governador do estado do Rio de Janeiro. O seguinte comunicado foi divulgado na última quinta-feira (16):

“A TV Record decidiu cancelar o debate entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro. A decisão se deu porque os candidatos não confirmaram participação no programa que iria ao ar no próximo dia 19/10”.

Em substituição, promoverá o debate presidencial no mesmo dia, às 22h50, entre os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).

Tendo em vista o rumo que as campanhas tomaram nessa nova fase, com a rivalidade em alta entre Pezão e Crivella, para a emissora seria mais conveniente suspendê-lo. No Horário Eleitoral Gratuito, o atual mandatário fluminense indaga quem de fato governaria o RJ, se Crivella ou o tio Edir Macedo, já que ele é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). A seita religiosa é dona da TV Record. O telespectador fluminense poderia se deparar com situações semelhantes às ocorridas na TV Globo no primeiro turno: 1) quando o então candidato ao governo do RJ Anthony Garotinho (PR) constrangeu em 'casa' a televisora, ao vivo numa sabatina no RJTV 2ª Edição, ao falar de um suposto caso de sonegação de impostos; 2) e quando a então candidata à Presidência Luciana Genro (PSOL) disse que teve que recorrer a uma liminar judicial para poder participar do debate, com isso criticando a postura do canal.

Aparentemente, as palavras do peemedebista estão 'pegando', devido ao preconceito que certas pessoas – não dá para precisar a quantidade – têm em relação à Iurd. Esse vínculo parece ser a principal 'pedra no sapato' do ex-ministro da Pesca. Muitos eleitores ainda não conseguiram separar uma coisa da outra, isto é, política da religião, e de uma forma ou de outra levam isso para os debates, por acreditar que os candidatos também, não.

Recentemente, o programa eleitoral de Pezão exibiu uma reportagem da década de 90 do Jornal Nacional (TV Globo), na qual mostrava Edir Macedo ensinando pastores a pedir dinheiro aos fieis. Os ataques não pararam por aí: durante uma carreata, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, lembrou do chute que outro bispo da igreja deu à imagem de Nossa Senhora Aparecida há 19 anos, segundo o 'Jornal do Brasil'.

O pupilo de Sérgio Cabral afirmou que a seita estaria promovendo uma 'guerra religiosa'. No culto 'Desmanche do Fogo', na Catedral da Fé, em Del Castilho, zona norte do Rio, no último dia 3 de outubro, há poucos dias do primeiro turno da eleição, um pastor teria pedido votos para Crivella, e comparado os que não votassem nele a Judas, publicou 'O Globo'.

No último dia 15, em 'atendimento a um pedido urgente de providências' feito pela coligação 'O Rio em 1º Lugar', o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) proibiu a Iurd de pedir votos durante os cultos e de promover a imagem de Marcelo Crivella. “Também as emissoras de televisão Record e CNT estão proibidas de veicular a propaganda dissimulada nos cultos da igreja, que fazem parte da sua programação regular. A multa por desobediência é de R$ 500 mil por dia”, diz um trecho da nota.

Em 2004, na eleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro, a Rede Record ficou fora do ar por 24 horas, por determinação da Justiça Eleitoral, por suposta propaganda subliminar em favorecimento a Crivella, quando ele integrava o extinto Partido Liberal (PL). Durante a programação, a emissora insistia na leitura do Salmo 22, o mesmo número de legenda do então candidato, noticiou o 'Uol'.

Esse é o atual nível do debate entre os candidatos. Em vez de propostas, uma 'guerra' na qual o grande derrotado é o eleitor, que é usado por ambos os lados. Até o próximo dia 26 de outubro, segundo turno da eleição, o cidadão fluminense poderá ver de tudo.

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