Eleições 2014: Dilma Rousseff ganha perdendo

Domingo, 26 de outubro de 2014

Informação atualizada, em 26/10/2014, às 22h37

Lula comemora aniversário com a vitória de sua afilhada política

Imagem: Twitter / Divulgação
Dilma Rousseff na cabine de votação
Com 99,98% das urnas apuradas, a presidente Dilma Rousseff (PT) é reeleita com 51,64% dos votos válidos no segundo turno das eleições, neste domingo (26/10). No entanto, ela ganha perdendo: primeiro, porque obteve menos percentual de votos em relação à eleição anterior, quando, em 2010, tinha obtido 56,05% dos votos válidos; segundo, pois significa que praticamente a metade do país se opõe a ela e ao seu Partido dos Trabalhadores (PT). Está com uma imagem desgastada.

Aécio conseguiu 48,36% dos votos válidos, segundo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nos últimos 12 anos, a legenda foi citada em determinados escândalos, tais como: o Mensalão, o da Petrobras, entre outros.

“O Brasil decidiu”, manifestou a mandatária nas redes sociais há poucos minutos. Ela governará até 2018.

A diferença entre os dois foi de apenas 3,28%, cerca de quatro milhões de eleitores. Quase 55 milhões de pessoas votaram em Dilma Rousseff, enquanto outros 51 milhões, em Aécio Neves.

Pode-se dizer que a vitória nas urnas é um presente antecipado a Lula, que completa amanhã (27) 69 anos.

Em 2010, a estratégia do PT foi assimilar a imagem do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dela, ou seja, votar em Dilma era votar o mesmo que votar em Lula, já que ela garantia o continuísmo de seus programas de governo. Já neste 2014, não foi reeleita por seu carisma, mas por uma questão ideológica devido à polaridade que se criou: esquerda e direita.

Pode-se dizer que esta campanha teve uma espécie de 'vale-tudo', que incluía um jogo sujo: em comício com sua afilhada política neste mês, em Recife, Lula teria comparado os tucanos aos nazistas, publicou o portal 'Terra': “Se o Nordeste leu o preconceito contra nós, as injustiças contra nós, parece que estão agredindo a gente como os nazistas agrediram na Segunda Guerra. Eles são intolerantes. Outro dia eu falei para eles: vocês são mais intolerantes que Herodes, que mandaram matar Jesus Cristo com medo de ele se tornar o que virou”.

A campanha da coligação Com a Força do Povo, a de Dilma Rousseff, tentou deturpar as reações do peessedebista durante alguns debates na TV: colocando-o como um homem intolerante com as mulheres, no caso com ela, quando a chamou de 'leviana', e também com a candidata derrotada Luciana Genro (PSOL), ao levantar o dedo para ela. Vale lembrar que Aécio Neves não estava diante de uma chefe de Estado, e sim de uma candidata igual a ele. Portanto, não havia motivo para tal submissão como tentou transformar o PT.

O nível de ataque entre as coligações de Dilma Rousseff e Aécio Neves chegaram a uma espécie de patamar, que fez com que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intervisse, ao obrigá-los a maneirar nas peças publicitárias, e depois, sugerindo-os um acordo para que retirassem os processos que tinham um contra o outro. Tal intervenção precisa ser analisada com mais calma para saber até onde cabia a atuação da Justiça Eleitoral e se poderia fazer esse tipo de censura.

Brasileiros que vivem na China preferiram o candidato tucano no segundo turno. Foram 218 votos para ele contra 63 para a atual governante, publicou a 'Folha de São Paulo'.

No primeiro turno, por exemplo, o senador do PSDB venceu na Venezuela, país que está 'comendo o pão que o diabo amassou', de acordo com o portal 'G1'. A análise é a seguinte: quem conhece de perto um regime comunista, não vota em político de esquerda.

Porém, para toda regra há exceções, como: na Argentina e em Cuba, brasileiros deram vitória a Dilma Rousseff, no primeiro turno, conforme divulgou o portal 'R7'.

Já no Paraguai – país expulso do Mercado Comum do Sul (Mercosul) com o apoio do governo de Dilma Rousseff, quando o Congresso depôs, em 2012, o então presidente Fernando Lugo –, os 'brasiguaios' não engoliram tal veto, e deram uma votação acentuada a Aécio Neves.

A vitória de Aécio Neves era uma esperança a um novo rumo na América Latina, especialmente no subcontinente. Pois, ajudaria enfraquecer governos autoritários (leia-se: ditaduras) que, provavelmente, não teriam seu apoio.

Tudo isso resume-se a uma só pergunta: afinal de contas, para que serviram os protestos ocorridos em 2013??? O povo exigia mudanças, mas optou pelo continuísmo.

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