Sábado, 10 de maio de 2014
Muitos brasileiros parecem ter entrado no clima pré-Copa do Mundo... do caos. Esse não é o jeito que os organizadores queriam, mas já era predestinado a partir da onda de protestos que tomou conta do país a partir de junho do ano passado. As ameaças de greves, melhor dizendo, de parar o país completamente, já estão acontecendo, por exemplo...
Muitos brasileiros parecem ter entrado no clima pré-Copa do Mundo... do caos. Esse não é o jeito que os organizadores queriam, mas já era predestinado a partir da onda de protestos que tomou conta do país a partir de junho do ano passado. As ameaças de greves, melhor dizendo, de parar o país completamente, já estão acontecendo, por exemplo...
Rodoviários
...Com a paralisação de 24 horas dos rodoviários do Rio de Janeiro, na última quinta-feira (8/5). Um grupo de profissionais se rebelou contra o acordo firmado entre o sindicato da classe, o dos Motoristas e Cobradores do Rio de Janeiro (Sintraturb-Rio), e o dos patrões, o Rio Ônibus, que concedeu reajuste de 10% nos vencimentos e de 40% na cesta básica que era de R$ 120, passando para R$ 150. Este jornalista que lhe escreve chegou a conversar com um motorista, que reclamava de só poder comprar uma coxinha para almoçar pelo baixo valor da cesta. O benefício é pouco e chega a ser encarado como uma esmola, se considerado o fardo de motoristas e cobradores que correm o risco de serem assaltados e enfrentam os grandes engarrafamentos da 'Cidade Maravilhosa' que se tornou um canteiro de obras por todos os lados. Além disso, existe o problema da dupla função: muitos condutores também são obrigados a atuar como cobradores. Os insurgentes instam o fim dessa dupla jornada. Foram pelo menos 467 coletivos depredados em atos de vandalismo que resultaram em janelas e retrovisores destruídos por homens que usavam pedras. Pode-se dizer que vários destes cuspiram no prato que comem.
Apenas uma dica às autarquias que cuidam do tráfego: deveriam atuar mais em bairros como Bonsucesso, por exemplo. Em curto trecho da Rua Cardoso de Morais, uma das principais vias, um condutor pode levar pelo menos 10 a 12 minutos. Tudo isso, porque o transporte alternativo fica se 'rastejando' para pegar mais passageiros. Muitos destes não conseguem pegar um ônibus no ponto e os motoristas são obrigados a abrir as portas no meio da rua. Dessa maneira, sendo também prejudicados e impedindo o fluxo. O trajeto dava para ser completado de cinco a sete minutos. Mas, isso é só um alerta já feito por OPINÓLOGO, em outubro de 2012.
Em Campinas, região do ABC Paulista, os rodoviários também promoveram uma paralisação no mesmo dia que seus homólogos cariocas. Em Florianópolis (SC), o feito se repetiu.
Educação
Na educação, docentes das redes estadual e municipal do Rio aprovaram em assembleia, do dia 7 de maio, uma greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira (12/5), segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ (Sepe-RJ). Eles exigem um plano de carreira unificado, autonomia pedagógica, fim da terceirização de mão de obra, 15% de reajuste entre níveis, a convocação imediata dos aprovados do último concurso público para professores, entre outros itens.
“(...) As redes estadual e municipal do Rio atendem mais de 1,6 milhão de alunos (1.380 escolas estaduais e 1.076 escolas municipais). Nelas, trabalham mais de 140 mil professores e funcionários. O piso do professor da rede municipal é de R$ 1.587. Os funcionários recebem de piso R$ 937. Na rede estadual, o professor recebe um piso de R$ 1.081 e o funcionário R$ 903.
Outras redes municipais estão em greve ou se mobilizando, com uma pauta de reivindicações semelhante: São Gonçalo está em greve desde o dia 25 de março; Duque de Caxias está realizando desde ontem uma greve de advertência de 72 horas, que poderá se ampliar, caso o prefeito Alexandre Cardoso não aceite as reivindicações da categoria; Niterói também começou hoje uma greve de 48 horas”, disse o Sepe-RJ.
A rede municipal de educação de Nilópolis, na Baixada Fluminense, também pretende fazer uma greve de 'advertência', de 48 horas, nos próximos dias 12 e 13 de maio, segunda e terça-feira, respectivamente.
Já em Niterói (RJ), a greve de 72 horas está prevista para começar no dia 13, seguindo até o dia 15, quando ocorrerá então nova assembleia.
Em São Gonçalo, os educadores da rede municipal estariam em greve desde o dia 25 de março. A categoria aprovou a continuidade da mesma. O piso salarial é de R$ 770. Para os funcionários administrativos, um salário mínimo, que é de R$ 724, atualmente, conforme apontado pelo Sepe-RJ.
Para a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), a greve seria 'inoportuna', tendo em vista que as negociações estariam sendo feitas entre os sindicatos e esse órgão, uma vez que há um grupo de trabalho formado a partir da sugestão do Supremo Tribunal Federal (STF). Segue, abaixo, parte da nota divulgada pela Secretaria:
“(...) Eleição para diretor de escola: no município há e no Estado, não. Quanto à eleição para diretores, no Estado houve o fim das indicações e o cargo de diretor é preenchido após processo seletivo interno, em quatro etapas: avaliação curricular, prova, entrevista e treinamento. Eleição não é possível no Estado devido ao fato de haver localidades com muita influência política e a eleição para diretor torna-se uma eleição com apoios de políticos. O processo seletivo também é mais democrático, pois permite um professor candidatar-se, caso seja bom gestor, a dirigir uma escola da capital mesmo ele sendo e outra região. O STF aceitou a posição e a interpretação da Seeduc nesse caso (sic).
De quanto será o reajuste salarial? A proposta é a de que seja de 8%. Mas tem que passar por votação na Alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro].
E quanto as demandas de equiparação salarial de professores e eleição direta para diretores? Não sabemos o que o Sepe quer dizer quanto à equiparação salarial. A rede estadual do Rio paga, atualmente, R$ 16,90 pela hora-aula. Valor maior do que a hora-aula em SP (R$ 15,80); no ES é de 9,80; e em MG é de R$ 11,80.
Benefícios novos para os servidores da Educação no Rio.
Auxílio-transporte – entre R$ 63 a R$ 120/mês Auxílio-qualificação – bônus anual de R$ 500 Auxílio-alimentação – R$ 160 mensais Auxílio-formação para professores regentes de turma / Parceria Consórcio Cederj – bolsa no valor de R$300 mensais.
1/3 da carga horária – Esclarecemos que na rede estadual de ensino, cada hora-relógio em sala de aula equivale a 50 minutos. O Estado já cumpre 1/3 de atividades complementares (...)”
Vale lembrar que há oito meses (entre agosto e setembro), profissionais da educação fizeram greves por mais de mês por razões similares.
Polícia
Em abril passado, policiais federais teriam ameaçado entrar em greve durante o Mundial. Eles exigiram reajustes salariais, plano de carreira e melhores condições de trabalho por meio de uma reestruturação da corporação. No dia 23 daquele mês, agentes teriam suspendido temporariamente as atividades, divulgou a revista 'Exame'.
No último dia 7 de maio, um grupo desses profissionais chegou a fazer uma manifestação em frente ao Vivo Rio, local onde os nomes dos 23 convocados para a Seleção Brasileira foram divulgados, noticiou 'O Globo'.
Também no mês passado, policiais militares baianos fizeram greve de três dias, segundo a 'Folha de São Paulo'.
Vigilantes
Vigilantes de alguns estados fluminenses que trabalham em agências bancárias e outras empresas estariam em greve desde o final do mês passado. Eles pedem reajuste salarial de 10% - o piso é de R$ 528 –, a redução da carga horária de 48 horas para 44 horas semanais, plano de saúde, aumento do valor do vale-alimentação de R$ 10 para R$ 20 e um percentual menor de desconto em folha: em vez de 20%, para somente 5% por esse benefício.
Esses profissionais fizeram uma passeata pelo Centro do Rio, nessa sexta-feira (9), informou o 'G1'.
Garis
Os garis do Rio realizaram a greve de maior sucesso dos últimos tempos e que tem servido de inspiração às demais categorias profissionais. Suspenderam as atividades por quase uma semana, no carnaval de 2014. Era lixo para tudo o quanto era lado. De 'Cidade Maravilhosa' se transformou em 'horrorosa'. Esses catadores se opuseram ao reajuste firmado entre o sindicato deles e a Prefeitura, cujo salário tinha sido aumentado de R$ 802 para R$ 874. No fim das contas, conseguiram R$ 1.100 mais 40% de insalubridade, totalizando R$ 1.540, ademais da elevação do tíquete-alimentação de R$ 12 para R$ 20 por dia.
Breve análise
Não dá para falar aqui de todas as categorias profissionais. É preciso citar algumas e contar com a boa memória dos leitores para lembrar de outras situações parecidas. Greves serão cada vez mais comuns nos dias que antecedem a Copa do Mundo de 2014, que ocorrerá dos dias 12 de junho a 13 de julho. Pode parecer chantagem, e é. No entanto, parece ser o único jeito que tais classes têm para forçarem negociações mais exitosas.
Embora greve seja um direito legítimo do trabalhador, não se pode deixar de pensar nos estudantes da rede pública, que são cada vez mais prejudicados. A greve no ano passado durou mais de um mês. Este ano, ademais de tantos feriados e pontos facultativos, um período sem aulas, sabe-se lá até quando. Os alunos que estiverem no último ano do Ensino Médio terão pouco tempo para estudar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cujas provas serão dadas nos dias 8 e 9 de novembro, sábado e domingo, respectivamente. Em 2013, os discentes da mesma série também foram afetados da mesma forma. É complicado falar em investimentos em educação sem a quantidade adequada de aulas!!!
Ainda é difícil dizer se tal 'gigante' realmente acordou ou não. O que parece é que essas classes têm sido usadas por supostos interesses politicamente sórdidos em período pré-eleitoral.
Apesar de se acreditar que várias dessas situações poderiam ser resolvidas antes das partidas e em caráter emergencial, não se pode negar os constrangimentos que o país tem passado quanto à segurança e credibilidade de que tudo estará em ordem para o megaevento.
Nos últimos 12 meses, brasileiros, sem generalizar, têm trocado os fogos de artifício por bombas de efeito moral e rojões. Em vez de cenários de alegria, tem-se visto cenários de confrontos e policiais e manifestantes opositores aos gastos bilionários para a Copa de 2014. Imagine na Copa!!!
Leia também:
O caos pré-Copa - parte 2
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