Documentos de alunos da UniverCidade são encontrados no lixo, diz estudante

Segunda-feira, 05 de maio de 2014

Informação atualizada em 05/05/2014, à 0h55


Imagem cedida por Vanessa Silva
ao OPINÓLOGO

Os absurdos presenciados na educação brasileira nos últimos tempos parecem não ter limites. Documentos de alunos do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), da unidade Madureira, no Rio de Janeiro, foram encontrados no lixo, às 20h da última quarta-feira (30/4), pela estudante de Pedagogia Tatiana Martins, moradora do bairro. Em entrevista ao OPINÓLOGO, ela contou que estava no salão de uma academia – que fica ao lado do campus –, em uma festa, quando foi até a rua verificar se havia chegado um carro de som contratado, tendo se deparado com um suposto mendigo revirando o lixo. Quando ele jogou uma das pastas no chão, ela pôde ver que se tratava de documentos acadêmicos.

Ao todo foram 17 pastas com dados sobre conclusão de cursos, pedidos de revisão de trabalhos, monografias, histórico, solicitação de acompanhamento especial, entre outros. O material foi recolhido, e após a tal festa, ela pôde ver com calma tudo e começou a divulgar nas redes sociais, tentando localizar alguns usuários. No atual momento, os itens estão em posse do Diretório Central dos Estudantes da UniverCidade (DCE-UC), cujos representantes foram buscá-los neste fim de semana, para que possam organizar a papelada e entregá-la a seus respectivos donos. Assim que houver uma data e um local, os leitores serão informados.

OPINÓLOGO já estava ciente há alguns dias sobre esses documentos. Contudo, resolveu não divulgar nada, para não prejudicar as negociações entre o DCE-UC e a discente que estava receosa. Mesmo tendo decidido divulgar na imprensa, Tatiana Martins também estaria nervosa e se sentindo acuada devido a supostas intimidações que vinha recebendo de alguns alunos, ademais de algumas ofertas inusitadas para que entregasse o documento de um ou de outro. Tais ofertas não serão detalhadas a pedido da entrevistada, mas incluía dinheiro, por exemplo. Ela disse que não tinha o propósito de lucrar com a desgraça alheia.

Questionada por este jornalista, o porquê de ela não ter procurado uma delegacia, o Ministério da Educação (MEC) ou o Ministério Público (MP), por exemplo, ela respondeu que se optasse por uma dessas alternativas, poderia atrasar ainda mais a vida acadêmica de seus pares.

Imagem cedida por Vanessa Silva ao OPINÓLOGO

Não é novidade para ninguém, que a UniverCidade e a Universidade Gama Filho (UGF) – ambas pertencentes ao grupo Galileo Educacional – foram descredenciadas pelo MEC por suposta 'baixa qualidade acadêmica', no último dia 14 de janeiro. E desde então, os estudantes têm encontrado grande dificuldade para comprovar junto ao consórcio Rio Universitário (formado por: Estácio, Veiga de Almeida e Senac RJ) as disciplinas já cursadas e as notas para a eliminação de grades. Estas três IES supracitadas herdaram por meio da Política de Transferência Assistida do MEC os clientes da UniverCidade e da Gama Filho.

“É triste ver que a da Galileo conseguiu colocar literalmente no lixo o sonho dos estudantes. É algo inacreditável o que foi feito e ao mesmo tempo revoltante porque nem o MP, nem a Defensoria e muito menos o incompetente Ministério da Educação se posicionaram sobre essa atitude lamentável! São históricos, certidões de conclusão, provas, TCC [Trabalho de Conclusão de Curso], comprovantes de monografia e demais documentos todos originais! Nos perguntamos o porque disso, pois foi uma atitude desumana! Nos sentimos no lixo!” declarou a vice-presidente do DCE-UC, Vanessa Silva.

Além de documentos dos alunos de Madureira, foram encontrados de campi fechados, tais como: Bonsucesso, Campo Grande, Ilha do Governador e Santa Cruz, segundo o DCE-UC.

Tal atitude de lançar documentos de tal importância no lixo merece uma segunda indagação: se a mantenedora entregou de fato os dados atualizados de seus ex-clientes para as instituições vencedoras da PTA, conforme recente e 'milésima primeira' recomendação do MEC. Um pouco de hipérbole nunca é demais aqui.

Os que se deram realmente mal foram os discentes da Gama Filho. Estes não tiveram a surpresa do destino de acharem seus documentos num lixão qualquer, nem mesmo houve entrega, conforme determinação judicial em fevereiro último, como aconteceu para os da UniverCidade. A verdade é que a liminar obtida pelo Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, não 'pegou'. Algo típico no Brasil como lei: algumas 'pegam', outras não. E para completar, o site está fora do ar há quase três meses.

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