Quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Advogado de manifestantes presos afirma que jovens eram aliciados financeiramente a praticar vandalismo em protestos e com apoio de partidos políticos e movimentos sociais
Advogado de manifestantes presos afirma que jovens eram aliciados financeiramente a praticar vandalismo em protestos e com apoio de partidos políticos e movimentos sociais
Participar de manifestações pode render R$ 150 por cada evento. Pelo menos, é o que aponta o advogado Jonas Tadeu Nunes, quem cuida da defesa de Caio Silva de Souza e Fábio Raposo, dois suspeitos de terem participado de ações que levaram à morte o cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, durante um protesto contra o aumento das passagens de ônibus, na sexta-feira passada (7/2), no Centro do Rio. Jovens de periferia seriam, supostamente, aliciados a participar de atos e promoverem violência e 'terrorismo social'. Apesar de a Polícia ainda não poder afirmar se os dois detidos atuavam na 'empresa' Black Bloc, acredita-se que possa haver uma ligação. “Eles têm uma sintonia com os Black Blocs. Rezam da mesma cartilha. Têm prática, modo de agir que se assemelha. Mas não podemos afirmar que os dois sejam Black Blocs”, disse o delegado da 17ª DP (São Cristóvão), Maurício de Almeida, ao 'Estadão'. O que se pode deduzir a partir das declarações do advogado é que a 'empresa' seria uma S/A, isto é, uma sociedade anônima, supostamente, formada por diretórios regionais de partidos, vereadores em câmaras municipais, deputados em assembleias legislativas e movimentos sociais. Essa foi a pista que deu, ao sugerir que a imprensa e a Polícia Federal investigassem.
Caio Souza, de 23 anos, foi preso na madrugada dessa quarta-feira (12), na Bahia. Ele é considerado suspeito de ter acendido o rojão.
Já o tatuador Fábio Raposo, de 22 anos, foi preso na manhã do último domingo (9), na Barra da Tijuca, indiciado por coautoria dos crimes de explosão e tentativa de homicídio, após admitir ter passado o rojão a outra pessoa pouco antes de o cinegrafista ter sido ferido.
Se comprovada a participação de partidos, políticos e movimentos sociais, fica evidente que ambos estariam agindo como organizações criminosas ao promover desordem pública e denegrir o caráter legítimo das manifestações, que é as melhorias sociais. Agora há pouco, a revista 'Veja' divulgou uma lista com nomes de alguns supostos financiadores, que inclui vereadores do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), delegado e até juiz. Também está claro que o objetivo do advogado Jonas Tadeu não era contar quem seriam esses supostos patrocinadores, e sim pressioná-los a não deixar seus clientes na mão.
Em uma linguagem chula, talvez seja possível dizer que 'o buraco é bem mais embaixo': se após investigações forem comprovadas a participação de políticos entre outras personalidades públicas, logo conclui-se que nunca houve de fato interesse de tais manifestantes atuarem em defesa da população. Tudo não teria passado de um 'movimento' – se é que se pode chamá-lo disso – forjado de sonhos e frustrações de milhões de brasileiros; outra vertente não menos interessante: tais 'funcionários' terem sido induzidos por sua condição social a protestarem contra o governo, o que possivelmente não tiraria o seu sentimento de indignação.
Vamos ser sinceros: pobre não tem tempo de estar na rua brigando e protestando, porque está suando para ganhar o pão de cada dia; e quem gosta de defender pobre é rico, já que isso virou uma espécie de emprego!!!
Nesse imbróglio todo, o nome do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol/RJ) acabou sendo citado: um estagiário do advogado Jonas Nunes disse que teria, supostamente, recebido uma ligação de uma ativista, que afirmava que o autor de ter acendido o rojão tinha um suposto vínculo com o parlamentar, de acordo com o 'Fantástico'. Freixo negou qualquer envolvimento no caso e rebateu o advogado, ao alegar que ele teria defendido o ex-deputado estadual Natalino José Guimarães, condenado a quatro anos e meio de prisão, em 2012, sob acusação de integrar uma milícia na zona oeste do Rio, e fez alguns esclarecimentos:
“(...) Sou totalmente contra a violência, como método e como princípio. É fundamental para a democracia o fim da escalada de violência, do lado dos manifestantes e da polícia. Dito isto, quero esclarecer as informações publicadas hoje pela imprensa (…) A suspeita, claro, não se confirmou. Fábio e o rapaz que teria deflagrado o rojão, Caio Silva de Souza, não têm qualquer ligação comigo ou com o Psol. O Globo, em vez de se retratar, publicou hoje (11/2) uma nota pela qual a mãe do tatuador diz 'achar que o filho conhecia o deputado Marcelo Freixo'. Acha que conhecia? Eu acho que isso não é jornalismo (…)”.
Democracia
Em 1992, brasileiros com caras pintadas de verde e amarelo, em exaltação ao sentimento de nacionalismo, exigiram o impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo. Tal movimento estudantil ficou conhecido como 'Os Caras-Pintadas'.
Já entre 2013 e 2014, a nova moda é esconder o rosto sob máscaras e roupas pretas e agir com vandalismo em nome da democracia. Os integrantes se autodenominam 'Black Blocs'. São como 'lobos de sombra e sem perfil'. Brincam de anarquistas 'amassando o poder', quando sequer sabem o significado de anarquia, já que esta se entende como um movimento ideológico e político de não reconhecimento a um governo. O que teoricamente não procede, já que suas brigas são por míseros centavos em passagens de ônibus. Optou-se substituir as tintas guaches da década de 90 pelo legítimo vermelho, que não é o do pau-brasil, mas o de sangue de vítimas como Santiago Andrade, que tão logo ficará no esquecimento.
Note-se que esse último movimento na maior parte das vezes brigou por causa do aumento nos transportes públicos em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Estranha-se que não tenha protestado, ao menos com a mesma ênfase que nas demais manifestações, contra: o leilão do campo de Libra; o elevado investimento do governo brasileiro no Porto de Mariel, em Cuba, valores que teriam ultrapassado 800 milhões de dólares, isto é, R$ 1,9 bilhão, cujos detalhes do contrato – que seria secreto – só poderão ser conhecidos a partir de 2027; a tentativa de aumento do Imposto sobre a Propriedade Territorial e Urbana (IPTU) por parte da Prefeitura de São Paulo com índices de 10 por cento a 30 por cento; o caos diário nos trens do RJ como as constantes quebras ou descarrilamentos; e por aí vai... porque não dá para ficar o dia inteiro citando exemplos de inércia.
Enquanto isso, a saúde e a educação, por exemplo, continuam caóticas e são apenas lembradas em discursos clichês.
Caos e demonização
Se a intenção dessa gente 'infiltrada' é promover o caos, está conseguindo. Não seria errôneo afirmar que o país poderia enfrentar num futuro próximo uma espécie de guerra civil, só que nesse caso de civil contra civil, já que se tem desviado o foco das ações governamentais, e tendo como alvo destruir lojas, agências bancárias, veículos. Uma das etapas seria colocar a sociedade contra a polícia e a imprensa. A primeira é obrigada a reagir, mesmo que certas vezes tenha se excedido ou não esteja totalmente preparada para lidar com esse tipo de situação; a segunda, por sua vez, sendo tachada de 'mentirosa' ou de 'partidária', entre outros adjetivos que tentam fazer a população acreditar que a nação precise de uma regulamentação dos meios de comunicação. Se o caminho for esse, não será nenhuma surpresa que o Brasil se transforme numa espécie de Venezuela ou outro vizinho 'pseudossocialista', que também promoveu campanha de difamação contra canais de TV, jornais e sites, ao menos os de oposição ao governo.
Foi constrangedor ver colegas de profissão tendo que esconder crachás e microfones de seus veículos, porque estavam sendo tratados como se fossem bandidos, quando estavam nas protestos trabalhando!!! Alguns jornalistas foram agredidos, inclusive carros de emissoras foram queimados. Talvez tudo isso tenha contribuído para que a mídia se tornasse 'refém' de manifestantes e enfocasse o discurso de que os eventos eram pacíficos e que apenas uma minoria vandalizava. Debochadamente, a imprensa profissional foi descartada, mesmo sendo a responsável em levar com ampla difusão os acontecimentos à sociedade.
A segunda etapa seria justificar por meio do vandalismo a criação de leis mais duras. Como se brasileiro as cumprissem!!! Nem a lei aprovada em setembro do ano passado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) proibindo o uso de máscaras em protestos surtiu efeito!!!
Cada vez mais fica difícil afirmar se o tal gigante 'acordou' ou não. O que leva a crer é que ele não o fez por si só, e sim que foi 'acordado' e por isso tenha ficado de mau humor ou até mesmo agressivo.
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