Brasil: um país além do futebol

Informação atualizada em 20/06/2013, à 0h33

Muitas pessoas deixaram de assistir a partida entre Brasil e México, da Copa das Confederações, para continuar os protestos contra os gastos da Copa do Mundo de 2014, o reajuste nas tarifas de transportes públicos, a PEC 37/2011, entre outras coisas.


Imagem: Agência Brasil - Antonio Cruz /
Reprodução / Creative Commons
Na BR-040, que liga Brasília a Goiás,
manifestantes interditaram a via.
“A toda marcha, a toda pressa, vou escapando de algo. Assim eu vivi, assim eu corri, aí estão as medalhas. Primeiro lugar até o final, mas afinal não sei onde estou, não reconheço nada ao meu redor, e ficou a evidência de que os meus olhos nunca focavam o que estava perto... Que esta vida tão complicada, o complicado o trago, e hoje reconheço que foste o melhor. E se é coisa de louco ainda escutar vozes, pois que me tachem como louco ou pior (…), se não for sensato escutar o coração. Será que esse mundo já perdeu a razão? Porque nunca vi nada com tanta claridade (...)”. OPINÓLOGO se utilizou de alguns trechos de uma música do cantor portorriquenho Tommy Torres, para elucidar o atual cenário brasileiro. Um povo que costuma ser tão alheio aos seus próprios problemas, de repente sai de seu estado de esquizofrenia ou de coma e vai às ruas reivindicar melhoria, despertando-se para a realidade, embora não tão completamente. E hoje (19/6), os manifestantes conseguiram vitórias em algumas das cidades mais importantes do país: reduzir o valor das tarifas de transportes públicos. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin resolveram colocar os ônibus, o metrô e o trem que circulam na capital para o valor antigo de R$ 3, entrando em vigor a partir da próxima segunda-feira (24). Esse tempo é para que se faça as alterações nos veículos, para que assim cobrem o valor antigo. No último dia 2, as mesmas tinham amentado para R$ 3,20. A integração ônibus-metrô volta ao preço antigo de R$ 4,65.

“No caso do Metrô e do trem nós vamos revogar o reajuste dado, voltando a tarifa original de R$ 3. É um sacrifício grande, vamos ter que cortar investimentos, porque as empresas não têm como ficar com a diferença. O tesouro paulista vai arcar com os custos, fazendo um ajuste, mas entendo que é importante para o transporte coletivo, que é prioridade. Estamos fazendo isso para que a cidade tenha tranquilidade e possa debater temas legitimamente colocados”, declarou o governador de SP.

Já no Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes seguiram o mesmo caminho: o metrô que tinha subido para R$ 3,50 volta para R$ 3,20, o trem, de R$ 3,20 para R$ 2,90, enquanto as barcas, para quem tem o Bilhete Único, de R$ 3,30 para R$ 3,10. E que não tem esse cartão, nas barcas a passagem de R$ 4,50 vai para R$ 4,50, já valendo a partir da zero hora da próxima sexta-feira (21). E o Bilhete Único Carioca (BUC), de R$ 2,95 retorna a R$ 2,75, a partir da zero hora de amanhã (20), para os ônibus urbanos com ou sem ar condicionado. O preço desse transporte foi reajustado no último dia 1° de junho. Todavia, o aumento já tinha sido suspenso em janeiro deste ano, após alguns protestos. Claro que não era nada comparado ao que se está vendo agora. Em coletiva mais cedo, o mandatário carioca disse que essa suspensão gerará um custo de R$ 200 milhões anuais à Prefeitura. E destacou que a integração com o BUC seria a mais barata do país e que isso não tem nenhum subsídio por parte da Administração Municipal.

Para o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), o prefeito Eduardo Paes não estaria fazendo nenhum favor à população, e faz um alerta para que essa complementação financeira às concessionárias de transportes públicos não seja tirada da saúde.

Vídeo: Marcelo Freixo / You Tube / Reprodução


O prefeito de Niterói (RJ), Rodrigo Neves, também fez o mesmo que seu homólogo carioca: suspendeu o aumento de R$ 2,95 nos ônibus, concedido no início deste mês, retornando a R$ 2,75, que entrará em vigor a partir da zero hora de amanhã (20).

Pelo menos nos municípios fluminenses que tiveram reajustes, não se observa até quando os mesmos serão válidos. Espera-se que isso não seja só enquanto dure a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no mês que vem. Já em São Paulo, o prefeito Haddad tinha dito que para manter o congelamento até 2016, seriam necessários mais de R$ 8,6 bilhões.

Uma pergunta que não quer calar: será que se pode mesmo considerar uma vitória??? Uma vez que a diferença de R$ 0,20 será complementada pelas prefeituras e governos estaduais às empresas do setor. O povo está apenas pagando de outra forma essa cifra!!! Sem falar que fica difícil acreditar que se terá de tirar dinheiro de outro lugar, uma vez que existem quotas orçamentárias para as diversas áreas, tais como: educação, saúde, meio ambiente, segurança etc. E todas seguem leis!!!

Outros municípios já tinham reduzido as tarifas, tais como: Montes Claros (MG), Porto Alegre (RS), Pelotas (RS), Foz de Iguaçu (PR) e a região da Grande Recife (PE), por exemplo.

Protestos

Imagem: Agência Brasil - Valter Campanato /
Reprodução / Creative Commons
Protesto em Brasília, nessa quarta-feira.
Mesmo acontecendo uma partida entre a Seleção Brasileira e o México, na tarde desta quarta-feira (19), da Copa das Confederações, muita gente preferiu continuar se manifestando em várias regiões do país contra o reajuste das passagens de transportes públicos, os custos excessivos para preparar o Mundial de 2014 e contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n° 37/2011, que visa limitar as funções do Ministério Público, impedido-o de realizar investigações e deixar unicamente a cargo das polícias. Niterói foi um exemplo. O ato ocorreu na Praça Arariboia, ponto de entrada e saída das barcas que vão com destino à capital fluminense. À tarde, a Polícia Rodoviária Federal fechou nos dois sentidos os acessos à Ponte Rio-Niterói, no intuito de preservar a segurança dos motoristas. Sabe-se que a intenção dos manifestantes era fechar essa via.

Dessa vez, a indignação falou mais alto que a cultura narcisista do futebol que o país tenta a todo o custo preservar. Os brasilienses também não ficaram de fora, e optaram ir às ruas, assim como muitos paulistanos, cariocas, cearenses, mineiros, cariocas, entre outros.

Está circulando no You Tube um vídeo do ex-jogador de futebol Pelé, pedindo aos brasileiros que apoiem a Seleção ao invés de vaiá-la, e recomendando que se esqueça 'toda essa confusão' decorrente das manifestações. Uma coisa tem que ser dita: não se pode misturar a indignação que se tem com os gastos do Mundial e responsabilizar os jogadores, porque são cidadãos como qualquer um, e apenas estão fazendo o trabalho deles. Mas, essa de esquecer a manifestação foi de lascar!!! É o mesmo que pedir à população que deixe de lutar por seus direitos!!! Afinal, se não houvesse isso, não teriam ocorrido as reduções. Bom, mas ele não deve andar de ônibus e nem deve saber o quão é sacrificante ficar num ponto vendo passar um, dois, três, quatro que não param porque já estão superlotados e o motorista fazendo sinal com a mão que não dá mais pra entrar ninguém. Muitos estão só à carcaça, velhos demais e sequer possuem um ar condicionado, por exemplo. Isso sem falar os que de vez em quando tem uns passageiros extras: baratas!!!

Vídeo: Gonada Inflamada / You Tube / Reprodução


Sabe-se que um novo protesto está marcado para a tarde da próxima quinta-feira (20), no centro do Rio. Por causa disso, muitas empresas públicas e privadas localizadas em áreas próximas ao evento estão dispensando os funcionários mais cedo e/ou tendo que mudar suas rotinas. Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), por exemplo, a Sessão que costuma ocorrer à tarde está sendo antecipada para as 10h da manhã.

A Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo (SSP/SP) informou que pelo menos 69 pessoas já teriam sido detidas nas manifestações, por estarem com objetos que poderiam ser usados como armas. No momento, trabalha para tentar identificar os vândalos que depredaram o patrimônio público.

PEC 37/2011

Ao que parece, as revoltas populares estão surtindo mais efeitos do que se imaginava: o presidente em exercício da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), sugeriu, nesta quarta-feira (19), que a votação da PEC 37/2011 fosse adiada para o segundo semestre. Ele teria alegado falta de consenso entre os membros da Casa.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou que iria pedir ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) o adiamento dessa votação, por falta de acordo entre o Ministério Público e as polícias Civil e Federal. Alves está na Rússia em uma reunião de parlamentares do Brics, bloco econômico que reúne o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Até o momento, a votação está agendada para o próximo dia 26 de junho, no mesmo dia que ocorrerão as partidas de semifinal da Copa das Confederações.

Comissão discutirá sobre o transporte público

Também no próximo dia 26, uma Comissão Geral da Câmara dos Deputados discutirá a atual situação do transporte público. “É hora de reflexão, de aprender com os movimentos e ver o que é possível fazer no Parlamento para atender às cobranças. O protesto é contra o status quo, não só contra políticos, mas devemos estar atentos e sintonizados com nosso patrão, que é o povo brasileiro”, disse Vargas.

Leia também:

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'O povo, unido, jamais será vencido'

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Não é esquizofrenia, é indignação mesmo!!!


'Patrioti(mi)smo'

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