De acusado por supostos crimes de formação de quadrilha, estelionato etc., o empresário Márcio André pode virar juiz eleitoral.
O empresário Márcio André Mendes Costa – ex-reitor da Universidade Gama Filho (UGF) e um dos acionistas do grupo Galileo Educacional – poderá ser escolhido como novo juiz do Tribunal Eleitoral do Rio Janeiro (TRE-RJ), de acordo com a colunista Berenice Seara, do jornal “Extra”, no último domingo (2/6). Seu nome faz parte de uma lista tríplice de advogados no Tribunal de Justiça (TJRJ) que será encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e depois, para a presidenta Dilma Rousseff, que terá de optar por um deles.
Sabe-se que o empresário está sendo denunciado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que fiscaliza supostas irregularidades no ensino superior privado fluminense, por supostos crimes de apropriação indébita dos recursos dos docentes da UGF e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), enriquecimento ilícito, “possível” lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e desvios de recursos públicos referente ao período que ficou no controle da mantenedora, encerrando-o no final de outubro passado, quando foi transferido para o pastor Adenor Gonçalves. Os parlamentares também se queixaram de seu não comparecimento à audiência de setembro passado e da falta de explicações pela ausência.
Também não é novidade para ninguém, que o grupo educacional estaria com uma dívida de R$ 900 milhões, conforme dito pelo atual presidente, Alex Porto, em depoimento na Alerj este ano.
Conhecendo-o um pouco
Costa já foi juiz pelo Tribunal Eleitoral fluminense em 2006, quando foi nomeado. E também conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ).
Corre na Justiça um processo contra o empresário por parte dos antigos acionistas da UGF, porque ele estaria supostamente vendendo imóveis dessa instituição de ensino superior sem lhe repassar parte da grana. Conforme revelado por OPINÓLOGO, no mês passado, os antigos donos da Gama Filho conseguiu uma tutela antecipada de bens de vários sócios do grupo Galileo Educacional, incluindo Márcio André, proibindo-os de se desfazerem de alguns imóveis, vendê-los etc., para garantir o cumprimento de passivos contraídos por essa universidade.
Sabe-se também de uma rixa entre o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (atualmente deputado federal pelo Partido da República/PR) contra o empresário, na época que era juiz. Em 2007, este teria votado a favor da inlegibilidade do político e de sua esposa Rosinha – atual prefeita de Campos, no mesmo estado – por suposta compra de votos. Na época, Garotinho teria alegado que a decisão foi motivada por fins políticos, uma vez que Márcio André seria advogado contratado pela Prefeitura de Niterói pela cifra de R$ 2,6 milhões, na época administrada por Godofredo Pinto (PT), cujo partido era seu principal rival. Na ocasião, o ex-mandatário tentou solicitar o impedimento do juiz, mas teve recurso negado pelo TRE-RJ.
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