Maracanã passa pelo primeiro teste: o vexame

Sexta-feira, 31/05/2013

A pedido do MP, Justiça tinha suspendido amistoso entre Brasil e Inglaterra no próximo domingo (2/6), por não ter recebido laudo sobre condições de segurança do estádio, mas o Governo do Rio recorreu, conseguindo cassar a liminar.

Ontem (30/5), os cariocas foram pegos de surpresa com a notícia de que a juíza da 13ª Vara de Fazenda Pública, Adriana Costa dos Santos, tinha atendido a uma solicitação do Ministério Público Estadual, proibindo a partida-teste entre Brasil e Inglaterra, no Estádio do Maracanã, no próximo domingo (2/6). Pois, até então o laudo da Polícia Militar atestando as condições de segurança do local não havia sido entregue à Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro (Suderj), tais como: vistoria da engenharia, prevenção e combate a incêndio e das condições sanitárias e de higiene. Mesmo diante de uma decisão às vésperas, o povo brasileiro já sabia que não duraria muito e que o jogo não seria comprometido. Poucas horas depois, o Governo do Estado recorreu ante a juíza de plantão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Gracia Cristina Moreira do Rosário, após apresentar as devidas documentações, e a liminar foi revogada. Em nota, as autoridades fluminenses disseram que o laudo não havia sido entregue por questão de “falha burocrática”. Não houve detalhes do que seria isso.

O amistoso é uma partida-teste para avaliar as condições locais para a Copa das Confederações, que terá início no próximo dia 15 de junho, e para a Copa do Mundo de 2014. Todavia, o estádio já passou pelo primeiro teste: o vexame. Primeiro, porque a proibição veio faltando apenas dois dias para a realização do mesmo. E se fosse realmente cancelado, o Brasil passaria por um constrangimento internacional, visto que foi marcado com antecedência e os torcedores de várias partes do mundo compraram ingressos e se deslocaram de seus respectivos países só para estar presentes. Imagine só se tal proibição tivesse ocorrido no dia do evento!!!; segundo, porque a liminar foi derrubada muito depressa, visto que não se observa essa rapidez do Judiciário em tantos outros temas e processos de cidadãos que se arrastam anos e mais anos; terceiro, por expor uma suposta desorganização dos organizadores; quarto, por colocar em xeque as condições de segurança, quando o entorno do estádio ainda está em reforma, por exemplo; quinto, por alimentar a convicção de que o país passará vergonha pelos atrasos na entrega das obras, aeroportos megalotados, transportes públicos insuficientes e em estados de conservação que deixam dúvidas – sem generalizar –, suposta corrupção e por aí vai...

Ambas decisões judiciais foram destaques na imprensa internacional como já era de se imaginar. O espanhol “El País”, por exemplo, falou sobre as dúvidas sobre o sucesso do evento, com foco nos atrasos para o término das obras, cuja previsão inicial era até dezembro do ano passado; já o colombiano “El Tiempo” lembrou da partida ocorrida no último dia 27 de abril, no mesmo estádio, entre os “Amigos de Bebeto” contra os “Amigos de Ronaldo”; enquanto o britânico “The Guardian” classificou como “erro burocrático” os últimos acontecimentos, ao destacar também as obras em andamento e os gastos que já passaram de R$ 1 bilhão; a Federação Inglesa de Futebol divulgou que a partida vai ocorrer dentro do “planejado”.

Se por um lado a tal suspensão aparentou uma suposta atuação de alguém que quisesse aparecer – não se sabe quem exatamente –, por outro exaltou uma preocupação com a questão da segurança e que os órgãos de fiscalização estão tentando agir com responsabilidade e independência. Mais do que avaliar as condições do estádio, esse evento-teste servirá para analisar os organizadores e apontar suas supostas falhas, e que tentem corrigi-las até 2014.

O Rio de Janeiro não foge à exceção de alguns outros estados no que se refere a erros: no último dia 20 de maio, por exemplo, jornalistas que cobriam a inauguração do Estádio Arena Pernambuco, no estado de mesmo nome, que contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff, tiveram que trabalhar do banheiro, porque a sala de imprensa não estaria disponível. Nem é preciso dizer o quanto isso é vergonhoso, pois mostra um despreparo!!!

Bem diferente do que se tenta mostrar, tem muitos brasileiros descontentes com a realização do Mundial aqui no país. As alegações são as clichês: o dinheiro poderia ser investido em mais saúde, educação, segurança pública etc. No entanto, o que se percebe também é que a Copa está sendo usada como bode expiatório, como se todos os problemas deste país fossem por causa disso, quando, na verdade, sempre existiram. Tem algo que não dá pra negar: tanto o Mundial de 2014 quanto os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 estão impulsionando melhorias: de infraestrutura – que o diga a construção civil – implementação de Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) e por aí vai...

É no mínimo audacioso, porém não errôneo, dizer que não somente os campeonatos, mas tudo o que tem sucedido, é literalmente algo para gringo ver.

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