Ex-prefeito do Rio César Maia teve seus direitos cassados pela Justiça por construção de igreja na zona oeste
Ao que parece, a cidade do Rio de Janeiro era católica, e ninguém sabia. Prova disso, foi a multa imposta ao ex-prefeito César Maia (DEM/RJ), na última quarta-feira (6/6), por ter liberado verba pública para a construção da Igreja de São Jorge, em Santa Cruz, bairro da zona oeste. Ele foi condenado pela 13ª Vara de Fazenda Pública da Capital a pagar R$ 149.432,40, por improbidade administrativa, e teve seus direitos políticos cassados por cinco anos. A ação foi movida pelo Ministério Público Estadual.
Em 2004, o ex-mandatário carioca teria autorizado a liberação dessa quantia à empresa municipal Rio-Urbe, para a construção do templo religioso. Para a Justiça, ele teria violado o Artigo 19 da Constituição, que proíbe o uso de dinheiro público para financiar a uma única religião.
Além de César Maia, a Rio-Urbe – junto com o seu ex-presidente Jorge Roberto Fortes, diretor financeiro, Gerônimo de Oliveira Lopes, e o assessor jurídico, Lourenço Cunha Lana –, a empresa Studio G Construtora Ltda – responsável pela obra – e a Mitra Arquiepiscopal, entidade ligada à Arquidiocese do Rio, também foram multados na mesma cifra, cada. Os réus executivos da companhia carioca também tiveram seus direitos cassados pelo mesmo período que o político democrata.
Até onde se sabe, o “Estado” é laico, e deveria continuar como tal. O financiamento de uma igreja não beneficia a todos, e sim a uma minoria pertencente àquela seita. O feito em si aparenta uma suposta preferência em relação às demais, no entanto, não reflete à pluralidade existente no Rio de Janeiro. Uma coisa que sempre causou estranheza a este jornalista que lhes escreve é o fato de muita gente ainda se dizer “católica” – especialmente em pesquisas de censo –, quando sequer freqüenta a uma missa ou uma cerimônia de casamento. Talvez, o termo “católico não-praticante” esteja sendo usado de forma banal, da mesma forma que não existe “evangélico não-praticante” ou “espírita não-praticante”. Além disso, a instituição tem dinheiro suficiente para construir um novo templo, pois tem isenção fiscal.
Itália quer acabar com isenção fiscal para Igreja Católica
Sabe-se que o governo italiano estava com um projeto de lei para acabar com a isenção fiscal para a Igreja Católica, especialmente nos imóveis que usam comercialmente. A arrecadação ajudaria ao pais na atual crise econômica que está enfrentando, segundo a Folha de São Paulo. Aqui no Brasil, por exemplo, essa ideia só não iria pra frente, pelo menos no atual momento, porque as bancadas religiosas não deixariam um projeto assim passar no Congresso e/ou na Câmara dos Deputados. Ainda mais com esse crescimento desordenado de seitas, uma a cada esquina e outra entre as duas!!! O que não quer dizer que os brasileiros estejam mais religiosos.
Balde de água fria em César Maia
Embora o ex-prefeito carioca ainda possa recorrer à cassação política, a decisão judicial pode ter sido um balde de água fria, caso queira se candidatar a vereador para as eleições deste 2012. Ainda não se pode dizer o quanto de fato sua imagem poderia afetar à campanha do filho Rodrigo Maia para a administração municipal, embora seus mandatos sejam elogiados pelo funcionalismo público. O período eleitoral 2012 começa oficialmente no dia 6 de julho, quando passam a ser veiculadas as propagandas políticas, obrigatórias, gratuitas e chatas.
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