Carnaval 2017 do Rio é marcado por conflito de laicidade, tragédias, negligência, blindagem e surpresa

Quarta-feira, 01 de março de 2017

Madureira é a ‘capital’ do carnaval 2017: Portela rompe jejum de 33 anos sem vitória no Grupo Especial; pela Série A vence a Império Serrano

Sem dúvida alguma, o carnaval de 2017 do Rio de Janeiro já entrou para a história dos carnavais. A edição deste ano teve de tudo que se possa imaginar: conflito de laicidade, tragédias, negligência, blindagem e surpresa.


Religiosidade

Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil /
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Só faltou o rei Momo ficar sem a chave
Antes mesmo de começar, a maior festa popular brasileira já estava marcada por um conflito de laicidade: o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB-RJ), não apareceu para a tradicional entrega da ‘chave da cidade’ ao rei Momo, em cerimônia que sinaliza a abertura das festividades. Duramente criticado por não saber separar a sua religiosidade com uma atividade pública e de praxe, preferiu tentar reverter a repercussão negativa, mostrando que supervisionava os órgãos municipais que atuaram durante o feriadão e visitando feridos da Sapucaí nos hospitais. Inclusive, o líder municipal fez pose para fotos ao lado de algumas das vítimas internadas, o que pareceu mórbido ou de mau gosto, o que fez lembrar uma certa modelo brasileira que ficou posando para fotos na tragédia provocada pelo furacão Sandy, em 2012, nos Estados Unidos.

O ritual carnavalesco ficou sob a incumbência da secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira (foto 1). O bispo licenciado da Igreja Universal (Iurd) terá que lidar com situação similar por mais três carnavais.

Embora boa parte da imprensa não tenha dado destaque, vale mencionar que o mandatário leiloou o camarote 9 da Sambódromo, pertencente à prefeitura, e doou os R$ 240 mil recebidos para abrigos de idosos e de moradores de rua.

Tragédias


Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil /

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Um dos carros alegóricos da Unidos da Tijuca
O primeiro dia de desfile das escolas do Grupo Especial, de sábado (25/2) para domingo (26), ficou marcado com o atropelamento causado por um carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiuti. Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas. Dessa quantidade, oito tiveram de ser transferidas de ambulância para os hospitais Souza Aguiar, no Centro, e Miguel Couto, na Gávea. De acordo com o ‘Estadão’, uma das vítimas corre o risco de ter a perna amputada.

Em nota, a agremiação disse estar prestando assistência às vítimas, e se comprometeu a arcar com as despesas de recuperação das vítimas, depois que deixarem os hospitais.

Já a Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro (Liesa) falou que vai aguardar a conclusão da perícia a respeito dos dois episódios ocorridos na Marquês de Sapucaí.

“(...) Em 33 anos de existência do Sambódromo, inaugurado em 1984, houve poucas ocorrências dessa natureza envolvendo carros alegóricos. A entidade aguarda a conclusão da perícia para esclarecer as causas, dando todo suporte institucional e operacional.

A Liesa lamenta profundamente os ocorridos e informa que se reunirá com todas as agremiações para realizar os ajustes que se fizerem necessários, buscando sempre o aprimoramento do espetáculo”, manifestou a entidade.

Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil /
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Uma das vítimas do desabamento do carro da
Unidos da Tijuca sendo socorrida por bombeiros
O segundo episódio ao qual a Liesa se referiu aconteceu no segundo dia de apresentação, de domingo (26) para segunda-feira (27): um dos carros alegóricos da Unidos da Tijuca desabou – ou afundou – durante o desfile, deixando pelo menos outros 12 feridos. No total, ao menos 32 foliões ficaram feridos.

Em nota, a Unidos da Tijuca também informou que pretende dar assistência às vítimas da tragédia.

Negligência e blindagem


Apesar de as investigações estarem apenas no início, pode-se pressupor que as duas tragédias ocorreram por responsabilidade das duas escolas de samba, preliminarmente, já que são incidentes particulares. Mas, isso foi o bastante para que a Liesa reafirmasse sua negligência a ambas e decidisse, de última hora e em conluio com os dirigentes das 12 agremiações, que não haveria rebaixamento este ano do Grupo Especial para a Série A, apenas um movimento sentido oposto. A campeã da Série A é a Império Serrano, que desfilará em 2018 pelas agremiações ‘vips’.

Em compensação, no carnaval de 2018 serão duas escolas punidas com o rebaixamento.

Nas redes sociais, a decisão pareceu uma suposta blindagem à Unidos da Tijuca – hoje uma das queridinhas do carnaval carioca –, que poderia descer. Ficou em penúltimo lugar, na 11ª colocação, à frente somente da Paraíso do Tuiuti.

A decisão da Liesa não justifica repetir o feito de 2011, quando se estabeleceu que nenhuma escola do Grupo Especial seria rebaixada. Na ocasião, houve um incêndio na Cidade do Samba que se alastrou pelos barracões de quatro agremiações, e não dava mais tempo de elas refazerem fantasias e alegorias em até 30 dias para o início dos desfiles.

Surpresa

Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil / Reprodução /
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Ala portelense leva dor, tristeza e agonia à Sapucaí
Ainda não dá para saber se a vitória da Portela, nesta edição de 2017 pelo Grupo Especial, será capaz de ofuscar as tragédias supracitadas. Foi uma surpresa para os torcedores, uma vez que ela não vencia um carnaval desde 1984, ano que o Sambódromo foi inaugurado. A divulgação do resultado ocorre no dia que a cidade do Rio de Janeiro completa 452 anos de fundação.

Foi uma disputa apertada com a Mocidade Independente de Padre Miguel, que acabou ficando na segunda colocação. A escola da Zona Oeste não ganha um carnaval desde 1996.

Madureira se tornou uma espécie de ‘capital’ do carnaval 2017, já que tanto a Portela quanto a Império Serrano são desse bairro.

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