Sexta-feira, 22 de abril de 2016
Acionista de grupo que, teoricamente, controla a UniverCidade e a UGF, quer fundar partido político
Quando o pastor Adenor Gonçalves dos Santos, até então desconhecido no meio acadêmico, resolveu assumir o controle majoritário do nebuloso grupo Galileo Educacional – mantenedor da Universidade Gama Filho (UGF) e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) –, em outubro de 2012, ele já mexia os pauzinhos para diversificar suas ambições. Uma dela, a qual OPINÓLOGO revela com exclusividade, era a de fundar um partido político chamado Livre.
Imagem: Google Mapas / Reprodução
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| Clube onde membros do Livre se reuniram em assembleia |
Na época, as duas instituições de ensino superior (IES) já passavam por atrasos salariais, paralisações, greves e demissões em massa.
Às 15h do dia 1º de setembro de 2012, 85 filiados se reuniram em assembleia geral extraordinária, publicada no Diário Oficial da União, na sede do Bandeirantes Tênis Clube, na Rua Miguel Salazar Mendes de Moraes, nº 48, na Taquara, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. As pautas foram: modificações no estatuto, principalmente no que dizia respeito à eleição de dirigentes, e como “vencer todas as adversidades” para lograr por definitivo o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu mandato na presidência, de um partido que não saiu do papel, expira no próximo dia 31 de agosto. Alex Porto, presidente do grupo educacional, é o 1º vice-presidente.
Por enquanto, a criação do Livre é uma utopia. Da mesma forma que seu processo de recuperação judicial para reerguer as duas IES descredenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) por suposta “baixa qualidade acadêmica”, em janeiro de 2014.
A supracitada assembleia partidária ocorreu depois que a ex-vereadora fluminense Dalva Lazaroni se desligou do Livre, deixando, automaticamente, a presidência.
Entre os membros do futuro partido vale citar Anderson Terra Pomar. Em 2011, foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por lesar consumidores. Ele e seu sócio Nelson Rodrigues dos Reis Filho – ambos donos de uma empresa chamada Cartão Postal Editora e Publicidade Ltda. – fugiram do distrito de Limiar, em Nova Friburgo (RJ), com a grana obtida com venda de ingressos para o festival musical “Serra Sons”. A série de shows, organizada por eles e que deveria ter acontecido entre os dias 11 e 15 de novembro daquele ano, acabou sendo cancelada por falta de pagamentos aos artistas contratados, produtores, entre outros profissionais para garantir a infraestrutura e segurança necessárias.
Os ingressos – vendidos em vários municípios das regiões Serrana e dos Lagos – custavam a partir de R$ 50, na pista, para assistir cantores como Lulu Santos, Zeca Baleiro, Alceu Valença, Guilherme Arantes, Flávio Venturini, Beto Guedes e Milton Nascimento, além dos blocos Sargento Pimenta e Rio Maracatu. Apenas o show de Zeca Baleiro aconteceu.
Em ação civil pública, o MP-RJ pedira, em primeira instância, uma indenização de R$ 250 por pessoa, totalizando R$ 1,5 milhão, e acusou os organizadores de terem se aproveitado da tragédia das chuvas na Região Serrana, com a desculpa de que Nova Friburgo precisava se reerguer economicamente e atrair turistas.
Em nota, a empresa Cartão Postal disse não ter conseguido os patrocínios esperados e que suspeitou da falsificação de ingressos, pois acreditava ter em média cinco mil pagantes por dia, enquanto registrava somente 2,8 mil ingressos vendidos no primeiro dia do festival.
O reverendo-empresário tem ambições plurais: possui três emissoras de rádio (Caledônia, Serramar e Sucesso), empresa de produtos hospitalares, a ONG Ação Medvida, entre outras.

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