PMDB quer salvar o Brasil do PT, mas não dele mesmo

Sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Em propaganda partidária veiculada nessa quinta-feira (25/2) em rede nacional, o Partido Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) fez duras críticas ao governo no qual integra, como se fosse de oposição.

“(...) E entramos em 2016 com a mesma sensação de impotência, porque, infelizmente, o desentendimento continua. E é grande. Enquanto a economia desanda, continuamos desiludidos, duvidando de tudo e de todos. O desemprego cresce sem parar, e vem de mãos dadas com a carestia. A combinação não poderia ser pior: as famílias perdendo a renda e os preços subindo. Arroz, feijão, carne, frango, cebola, batata, o limão, o tomate... Nem a banana é mais vendida a preço de banana. A verdade é que o brasileiro empobreceu, entristeceu (...)”, reconheceu o PMDB o que muitos já sabiam ao início do vídeo que tem duração de 10 minutos.

Vídeo: PMDB / YouTube / Reprodução


À diferença da propaganda divulgada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) – que comemora seus 36 anos de fundação –, na última terça-feira (23), que fantasiou uma espécie de ‘país das maravilhas’ com Lula e Dilma Rousseff, como se ambos tivessem solucionado os problemas da nação, o PMDB admitiu que o atual cenário brasileiro é desesperador, mas tenta mostrar-se como o ‘salvador da pátria’. A peça publicitária tem um fundo negro e mais sóbrio.

É difícil salvar o país dos outros, quando se é parte do problema. O PMDB não só integra a ala governista, como também nunca rompeu de fato com o PT, apesar do escândalo do Mensalão, por exemplo. Embora aja como se estivesse alheio à crise que o país enfrenta, quando, na verdade, é corresponsável. Além disso, o PMDB, assim como o PT, é mencionado na Operação Lava-Jato, que investiga a roubalheira na Petrobras. “É inadmissível que a mais importante empresa brasileira esteja, para a nossa tristeza e indignação, no fundo do poço, jorrando incompetência”, salientou o deputado federal Marcos Rotta (AM) em alusão à estatal.

“Existe um remédio, um remédio popular que é infalível contra a crise ocasionada pela má gestão. Chama-se voto. Faça bom uso dele este ano. Este ano tem eleição. Este ano, você é o juiz”, instou o PMDB, ao classificar de ‘má gestão’ o governo de Dilma Rousseff e a culpar pela crise os mais de 51% de eleitores que a reelegeram na eleição de 2014.

O vice-presidente Michel Temer apareceu em dois momentos. No primeiro, falou sobre o pessimismo de muitos brasileiros e disse que era preciso ‘encarar os problemas com consciência, convicção e coragem’. No segundo momento, apelou para entendimento e reconquista da confiança em prol do crescimento.

Na propaganda peemedebista apareceram os principais parlamentares do Congresso, como os deputados federais Eduardo Cunha (RJ) e Leonardo Picciani (RJ) e os senadores Renan Calheiros (AL) e Eunício Oliveira (CE), por exemplo.

Aos 7 minutos e 19 segundos do vídeo, o deputado estadual Requião Filho (PR) dá a devida resposta à peça petista: “Não dá para culpar o mundo pelos erros acontecidos dentro de casa (...)”. O PT atribuiu à crise internacional a crise brasileira com vieses econômico, político e moral.

No vídeo do PMDB também aparecem alguns possíveis candidatos a prefeitos, tais como: o secretário executivo da prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo, a senadora Marta Suplicy, por São Paulo, e o deputado federal Washington Reis, quem poderia concorrer em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

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