Quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
A Estácio de Sá só durou um carnaval no Grupo Especial; Mangueira vence
Imagem: Tomaz Silva / Agência Brasil
Reprodução / Creative Commons
Todo ano, durante o carnaval, muitos brasileiros ficam atentos e tentando adivinhar qual será a escola de samba campeã do ano pelo Grupo Especial. A simpatia por alguma agremiação é ocupada por uma espécie de senso de justiça popular. O quesito no inconsciente coletivo é o de que a “minha escola do coração” estava linda. Isso parece ser o suficiente, na mente dos foliões, para que se conceda o título de vencedor. Mas, enquanto muitos ficam focados no ganhador, OPINÓLOGO se pergunta quem será a perdedora da vez.
Mergulhado em uma espécie de círculo vicioso, conforme já apontado por este site, o carnaval carioca está fadado à mesmice e a resultados, aparentemente, previsíveis. As agremiações recém-chegadas ao Grupo Especial não duram muito tempo.
Se o físico Isaac Newton tivesse nascido em nossa época, não precisaria analisar uma maçã para entender que tudo o que subia, descia. Bastaria fazer isso com escolas de samba. Pelo menos no Rio, a Lei da Gravitação Universal é aplicada com certo rigor. A Estácio de Sá – vencedora em 2015 do Grupo de Acesso para o Grupo Especial – acaba de retornar para o Grupo de Acesso. Ela levou à Marquês da Sapucaí o enredo “Salve Jorge! O Guerreiro na fé”. Note-se que a agremiação só durou um carnaval no clube elitista.
Em 2014, por exemplo, a Império da Tijuca foi rebaixada do Grupo Especial, ao voltar para a Série A. Também só tinha durado um carnaval.
Pelo Grupo de Acesso, a vencedora de 2016 foi a Paraíso do Tuiuti, que apresentou o enredo “A farra do boi”, inspirado num boi que teria se tornado “santo” depois de ter sido dado de presente ao Padre Cícero, figura religiosa que atrai milhares de simpatizantes pelo Nordeste.
Já a vencedora do Grupo Especial em 2016 foi uma surpresa para muitos foliões: a Mangueira. Esta levou à avenida do samba o tema “Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá”, que narra a vida da cantora homônima. A escola já não vencia um carnaval desde 2002.
Por um décimo, a Unidos da Tijuca ficou em segundo lugar. Apresentou o enredo “Semeando sorriso, a Tijuca festeja o solo sagrado”, contando sobre a Gênesis bíblica com o surgimento do homem e a importância do cultivo e valor à terra.
Em terceiro, a Portela, que resolveu sair de seu antigo estilo – ou falta de – e apresentar inovações em suas alegorias, graças ao carnavalesco Paulo Barros, quem outrora deu visibilidade à Unidos da Tijuca. Pode-se dizer que foi um verdadeiro desafio à agremiação de Madureira ao levar o enredo “No voo da Águia, uma viagem sem fim”, que abordou grandes viagens da história e estória, como a abertura do Mar Vermelho por Moisés e as famosas viagens de Gulliver, respectivamente. A única coisa que soou um pouco estranha foi a águia, símbolo da escola, não ter o devido destaque. Ademais, em vez do tradicional azul e branco, optaram por nuances amarela e dourada. Os portelenses – pelo menos os mais antigos – têm profunda veneração pela ave.

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