Quinta-feira, 16 de julho de 2015
Para o desespero dos alunos, os professores da Universidade Cândido Mendes (Ucam), no Rio de Janeiro, decidiram, em assembleia na noite dessa quinta-feira (16/7), continuar a greve iniciada no último dia 22 de junho, por conta de atrasos salariais. Desta vez, não há data prevista para uma nova reunião da categoria, que informará pelas redes sociais quando ocorrer um novo encontro. Ao que parece, a interrupção das atividades afeta apenas a unidade Centro, na Rua da Assembleia, nº 10.
“Estamos em greve há um mês. Além do atraso de salários, a instituição possui instalações precárias. Antes da greve, muitos professores aderiram a famosa greve branca”, queixou-se ao OPINÓLOGO a estudante de Direito Taíssa Antunes.
“Um mês de greve!!! Os alunos do 10º período não podem se formar, muito menos dar entrada na carteira da Ordem [dos Advogados do Brasil (OAB)]. Muitos [estudantes] estão perdendo oportunidades de emprego por causa disso! Um absurdo! Os alunos estão indignados!”, reclamou a discente de Direito Patrícia Rocha.
“Eu já me formei, mas logo que entrei na Ucam, no início de 2009, teve greve. E depois mais outras tantas no decorrer do curso. Essa crise já dura no mínimo 6 anos!”, lembrou ex-aluna de Direito Juliana Soares.
“Vamos ser obrigados a ficar na Ucam Centro até a resolução deste problema? De fato, estamos sendo usados como massa de manobra, seremos obrigados a permanecer nesta faculdade para não perdemos um semestre, mas corremos o risco de perder este e até o segundo que está por vir, caso a situação não se resolva. E os nossos planejamentos de vida? Nossas expectativas de trabalho, nossas viagens, intercâmbios, estamos sendo individualistas ao reivindicarmos o segmento dos nossos planos?”, indagou o estudante de Direito Lucas Uhlig.
“Segundo o que entendi, nossa educação é tratada como mercadoria. Quando pedi a palavra em assembleia, para reivindicar por alunos que estão presos a uma instituição falida a sua transferência, me pediram que eu procurasse o reitor e pedisse meus direitos e transferências, comparando assim com uma mercadoria das Casas Bahia. Logo entendi que nossa educação é mercadoria”, criticou o acadêmico de Direito João Casanova.
Já a Associação de Professores e Funcionários da Universidade Cândido Mendes (Procam) garantiu que nenhum discente seria prejudicado com a greve, que já dura quase um mês. “De nossa parte, mais uma vez, garantimos que nenhum aluno sairá prejudicado daqui. Nem os formandos. Preparem sua festa, dia 27/08/2015 vocês poderão comemorar, e agora com mais razão. Pois, ajudaram, sim, seus professores e empregados”, disse o texto assinado pelo presidente da entidade, professor Hélio Borges.
No documento, o docente critica o que chama de 'individualismo', 'falta de tolerância', 'judicialização das relações' e 'egoísmo', em referência aos estudantes que têm se sentido prejudicados e reclamado da categoria nas redes sociais e/ou até mesmo ingressado com processos contra a instituição de ensino superior (IES).
“Até agora não conseguimos entregar nossas monografias”, contou a estudante Patrícia Rocha a este jornalista.
Sobre a greve
80% dos funcionários estão há quatro meses sem salários, enquanto os outros 20%, desde janeiro deste ano, de acordo com o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio). Eles também reivindicam o recolhimento descontado em folha ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e os depósitos atrasados do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Recentemente, a entidade sindical ganhou na Justiça decisão que obrigava a Ucam a depositar o FGTS dos últimos 30 anos. Todavia, a IES recorreu. Não há muitos detalhes no momento, porque a nova gestão do Sinpro-Rio tem se isolado em seu mundo e não responde aos contatos feitos por OPINÓLOGO.
Na assembleia realizada no último dia 10 de julho, foi informado que o reitor Cândido Mendes havia colocado como condição para pagar dois dos salários atrasados, se os profissionais suspendessem a greve naquele mesmo dia. No entanto, eles não aceitaram essa suposta chantagem, e preferiram seguir adiante.
Vale lembrar que no mês passado, o professor Hélio Borges disse que os gestores só poderiam garantir o pagamento de até R$ 1 mil para quem ganhasse até R$ 2,5 mil. Ao que parece, o plano de saúde dos empregados não estaria sendo pago.
Note-se que essa é a segunda greve apenas neste primeiro semestre de 2015. A primeira aconteceu em fevereiro, um dia após o ano letivo começar.
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