Segunda-feira, 06 de julho de 2015
A diretora do Miss Nicarágua Karen Cellebertti informou (foto 1), nesse domingo (5/7) que seu país poderá também boicotar o Miss Universo, ao não enviar uma representante, se os organizadores do evento a nível mundial não apoiarem em sua totalidade as recentes declarações da Miss Universo 2014 e Miss Colômbia, Paulina Vega, quem criticou o discurso xenofóbico do magnata Donald Trump contra os imigrantes mexicanos.
Imagem: Twitter / Reprodução
Si Org Miss Universo no apoya con todo a Paulina Vega como la reina y ser humano principalmente ... NICARAGUA no asistira al Miss Universo.
— Karen Celebertti (@KarenCelebertti) 5 julho 2015
“Se a Organização Miss Universo não apoia com totalidade a Paulina Vega como rainha e ser humano, principalmente, Nicarágua não acudirá ao Miss Universo”, disse Cellebertti.
Vega afirmou que as palavras de Trump, dono do concurso, são 'injustas' e 'dolorosas'. Sustentou que a organização do evento trabalha de forma independente de seus proprietários. “Se a Organização Miss Universo compartisse algum sentimento antilatino ou qualquer outro tipo de preconceito racial, eu não estaria nessa posição hoje”, tentou defender.
O apoio da Nicarágua a Colômbia ocorre num momento em que a relação dos dois países está estremecida desde 2012, devido ao litígio que resultou em perda marítima para nação sul-americana numa área de grandes recursos naturais.
Trump, que é pré-candidato pelo Partido Republicano à Casa Branca rebateu (foto 2) a crítica e classificou Paulina Vega de 'hipócrita':
Imagem: Twitter / Reprodução
Miss Universe, Paulina Vega, criticized me for telling the truth about illegal immigration, but then said she would keep the crown-Hypocrite
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) 5 julho 2015
“A Miss Universo, Paulina Vega, me criticou por dizer a verdade sobre a imigração ilegal, mas disse então que manteria a coroa. Hipócrita”, atacou Trump.
Nicarágua poderia unir-se ao México, Costa Rica e Panamá, que, em protesto, não enviarão beldades à competição nem transmitirão o Miss Universo. Seria o quarto país da América Latina e terceiro da América Central a boicotá-lo.
No último dia 30 de junho, a prefeitura de Bogotá, na Colômbia, declinou concorrer como sede do Miss Universo 2015, previsto para ocorrer no início de 2016, por conta dos comentários preconceituosos do empresário norte-americano. Para a diretora do Instituto Distrital de Turismo, Tatiana Piñeros Laverde, os recentes ataques de Trump são contra os mexicanos, mas no futuro poderia contra toda a comunidade latina ou até mesmo contra os colombianos. A administração municipal tinha a intenção de acolher o evento, motivada pela vitória de Paulina Vega e por conta do apelo de patrocinadores.
A 'Univisión' – maior canal de TV nos Estados Unidos de língua espanhola – retirou-se do evento e não vai cobri-lo, inclusive o Miss Estados Unidos, previsto para o próximo domingo (12). A 'NBC' repetiu o gesto, após uma petição criada por internautas e que reuniu mais de 200 mil assinaturas. A 'Televisa', no México, também não exibirá o concurso. Note-se que as competições locais ocorrerão normalmente. Simplesmente, não mandarão representantes para o evento internacional. O magnata acusa o governo mexicano de ter pressionado a 'Univisión' para que tomasse tal atitude.
Talvez os organizadores do Miss Universo não tivessem imaginado o efeito dominó que as atitudes de seu dono geraria. Por outro lado, ele ganha a simpatia de eleitores contrários à imigração de latinos para os Estados Unidos.
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