Domingo, 28 de junho de 2015
Acervo pertenceu a falecido governante lusitano
O descredenciamento da Universidade Gama Filho (UGF), no Rio de Janeiro, em janeiro de 2014, pelo Ministério da Educação (MEC), não preocupou apenas alunos, professores, funcionários administrativos e credores. Mas, também ao Ministério de Negócios Estrangeiros de Portugal. Este, por meio do Real Gabinete Português de Leitura – no Centro do Rio –, protocolou, recentemente, uma petição na 28ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), na qual requereu a guarda de um acervo de 17.963 títulos e 21.506 volumes que foram doados pelo ex-governante lusitano Marcello Caetano à instituição de ensino superior (IES). O governo europeu alegou que o material, considerado um 'verdadeiro tesouro cultural', encontra-se em deterioração, e que para conservá-lo há um custo.
Entre as relíquias em posse da UGF está uma edição das 'Memórias de D. João I' do ano de 1731, ademais de cinco volumes das 'Ordenações e Leys do Reino de Portugal confirmadas e estabelecidas por D. João V', segundo o portal europeu 'Expresso'.
Caetano doou o acervo, quando era professor de Direito da UGF entre 1974 e 1980. Após sofrer um golpe militar, em 1974, exilou-se no Brasil junto com a família, mas veio para cá na condição de imigrante, não de exilado. Rapidamente adaptou-se à sociedade carioca, tendo sido hóspede no Mosteiro de São Bento por duas semanas. Deixou Portugal em meio a uma crise política provocada por forte insatisfação popular. Braço direito do ditador Antonio Salazar, Marcello Caetano assumiu interinamente o governo, em 1968, devido aos problemas de saúde do antecessor. O docente nunca retornou ao seu país, tendo falecido de ataque cardíaco e sido enterrado no cemitério São João Batista, em Botafogo.
Os signatários da ação judicial são: o cônsul português no Rio de Janeiro, Nuno de Melo Belo; um dos donos da UGF, Paulo Gama; o advogado deste empresário, cujo nome não foi citado; e o presidente do Real Gabinete Português de Leitura, António Gomes da Costa.
Ao 'Expresso', o presidente da Biblioteca Nacional (BN) no Brasil, Renato Lessa, mostrou interesse em guardar o material.
“A solução do Real Gabinete parece-me adequada. No entanto, tenho uma imensa curiosidade de olhar para o acervo de Caetano e a BN poderia acolhê-lo e garantir-lhe um espaço coletivo no seu catálogo”, manifestou Lessa.
A publicação lusitana também fala que a gestão 'danosa' do grupo Galileo Educacional – atual mantenedora da UGF – provocou uma 'rápida degradação da qualidade de ensino'. Conforme divulgado por OPINÓLOGO, o grupo empresarial apresentou um plano de recuperação judicial, o qual precisa ser aprovado por uma assembleia de credores, para tentar recredenciar a Gama Filho e o Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), que tiveram seus registros cancelados na mesma ocasião por suposta 'baixa qualidade acadêmica', decorrente das constantes greves e paralisações fomentadas por atrasos salariais.
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