Venezuela: supostos áudios sobre plano de golpe de estado são divulgados

Segunda-feira, 02 de março de 2015

Prefeita da oposição é destituída do cargo

Duas semanas após o governo venezuelano ter denunciado um suposto plano de golpe de estado, políticos chavistas apresentaram áudios que, supostamente, vinculariam políticos opositores – em especial, representantes do Copei, partido socialista cristão – ao mesmo. O material foi apresentado pelo presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello, o número dois no Chavismo, e o prefeito do município de Libertador, Jorge Rodríguez.

O vídeo, abaixo, mostra uma suposta conversa telefônica entre Antonio Ecarri e Rogelio Díaz, presidente e secretário-geral do Copei, respectivamente.

Vídeo: Telesur / YouTube / Reprodução


“Não é digno de um alto funcionário como você, Diosdado Cabello, estar gravando, editando e montando conversas privadas. Isso é crime”, rebateu Antonio Ecarri.

“Hoje, novamente, em cadeia nacional, transmitem uma mentira e um delito! A derrotaremos! Somos porta-vozes da esperança e da verdade”; “fazer gravações sem ordem judicial é um delito. Pior é fazer montagens e transmitir mentiras em rede nacional”, se defendeu Rogelio Díaz.

O segundo vídeo traz supostas confissões do tenente aposentado Luis Hernando Lugo Calderón, de que o objetivo era desestabilizar o governo com a ajuda de militares, para provocar a renúncia do presidente Nicolás Maduro.

Vídeo: Telesur / YouTube / Reprodução


O suposto plano de golpe teria por objetivo bombardear o Palácio de Miraflores (presidência) e as sedes do Ministério da Defesa e do canal estatal Telesur, com a suposta conivência de Washington.

A divulgação do suposto plano para derrocar Maduro ocorreu no passado dia 12 de fevereiro, data que marcava o primeiro aniversário de um protesto antigoverno, que resultou em 43 mortos e mais de 1.400 feriados, e, também, um dia após as principais lideranças da oposição criarem uma petição, pedindo a transição do governo, o que foi visto como uma tentativa de golpe. O documento é assinado pelo prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, o ex-prefeito de Chacao, Leopoldo López, preso há um ano, e a ex-deputada María Corina Machado.

Uma semana depois, no dia 19 de fevereiro, para ser mais exato, Ledezma foi detido de maneira arbitrária pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) sob acusação de participar do suposto plano de golpe. Com isso, agravando a crise política no país que se soma a de supostas violações de direitos humanos, escassez de comida e papel higiênico e a crise econômica.

Golpe de estado municipal

Imagem: Twitter / Divulgação
No último dia 26 de fevereiro, a prefeita Lumay Barreto (foto), do município de Guasdualito, no estado de Apure, foi vítima de um suposto golpe de estado. Ela é membro do partido Voluntad Popular, de oposição a Maduro. Foi destituída pelo Conselho Municipal – equivalente à Câmara de Vereadores – por ter se ausentado por cinco dias da cidade, o que foi considerado como abandono do cargo.

No entanto, a Constituição venezuelana só fala em destituição do cargo acima de 15 dias longe do mesmo.

Barreto participava de uma reunião da Associação de Prefeitos da Venezuela, frente política que também faz oposição ao Chavismo. Quem assumiu o assento da prefeita foi o presidente da Câmara, Victor Blanco, que é do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o do falecido Hugo Chávez.

33 dos 77 alcaldes dessa associação foram processados em aproximadamente um ano, isto é, quase a metade. Os motivos não foram explicitados, informou o diário local 'El Impulso'.

Lumay Barreto convoca a população para uma caminhada às 9h da manhã, hora local (10h30 no horário de Brasília), da próxima quarta-feira (4), contra o que chamou de 'destituição arbitrária por parte do regime'.

Não é a primeira vez que o Chavismo tentar usar da força e/ou da reinterpretação da lei para afastar opositores: no ano passado, por exemplo, a opositora María Corina Machado foi destituída do cargo de deputada, pela Assembleia Nacional, por ter aceitado o assento do governo panamenho na Organização dos Estados Americanos (OEA), para denunciar supostas violações de direitos humanos em seu país.

Durante a detenção do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, no mês passado, o mandatário bolivariano comunicou que convocaria novas eleições para o Executivo municipal. Isso sem esperar que ele fosse julgado. Vale lembrar que Ledezma derrotou nas urnas, em 2013, o chavista Ernesto Villegas, ex-ministro das Comunicações.

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