O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) solicitará ao Ministério da Educação (MEC), nos próximos dias, a intervenção na Universidade Gama Filho (UGF), no Rio de Janeiro. O motivo seria a situação caótica enfrentada pelos estudantes dessa área, que ainda não começaram a estudar, por causa da greve de seus professores que teve início na última segunda-feira (11/7).
Além disso, também há algumas questões que afetam o curso, tais como: a interrupção das aulas práticas na Santa Casa da Misericórdia, já que os docentes estão com os salários de janeiro e fevereiro atrasados mais os 33 por cento das férias de 2011, 2012 e 2013. Sem contar que o convênio entre a universidade e a unidade hospitalar não estaria sendo pago desde junho de 2011.
Outro agravante é o fato de que até o ano passado, as aulas de Medicina estavam sendo lecionadas no Downtown, um shopping na Barra da Tijuca, na zona oeste. Até que, em outubro passado, o MEC publicou uma Portaria – de número 196 –, proibindo que as mesmas fossem ministradas naquele local, em atendimento a um pedido conjunto feito em fevereiro do mesmo ano pelo Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) com o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed RJ).
Antes de começar a greve oficialmente, os professores de Medicina já tinham optado interromper o internato, já que este seria iniciado antes do dia 4 de março, quando começaria oficialmente o ano letivo para os demais cursos da UGF. É importante frisar que, na semana de carnaval, quando o grupo Galileo Educacional pagou 50 por cento do salário de dezembro de 2012, os profissionais de Medicina que atuam na Santa Casa da Misericórdia não teriam sido incluídos, o que aumentou a indignação dos mesmos.
Também vale recordar que, entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o grupo educacional demitiu centenas de docentes das mais diversas áreas – incluindo do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), também da mesma mantenedora –, estima-se que mais de 500, sendo 140 só da Medicina. Só que no segundo semestre do ano passado, 41 dos professores que também faziam parte do quadro funcional da Santa Casa teriam sido readmitidos pela Gama Filho. No atual momento há uma discussão entre o SinMed RJ e a Galileo Educacional sobre uma indenização a esses 41 profissionais, que durante seis meses decidiram ensinar de graça aos alunos, para que não tivessem o currículo prejudicado.
Em reunião no Cremerj, nesta sexta-feira (15), estudantes contaram que tentaram um diálogo com o Ministério da Educação, no entanto, teriam sido aconselhados pelo mesmo a procurarem um órgão de Defesa do Consumidor.
“Essa resposta foi um disparate. O governo quer facilitar a entrada de médicos do exterior no Brasil, mas não cuida das escolas de Medicina que existem no país. O curso de Medicina da Gama Filho é tradicional e reconhecido no mercado. É um absurdo o que estão fazendo. Não podemos admitir aulas práticas sem examinar um paciente. No futuro, poderemos ter médicos incapacitados que poderão expor a população”, manifestou Pablo Vazquez, um dos conselheiros da instituição.
O Cremerj será apenas um entre tantos que já vêm tentando pressionar o MEC a tomar posição ante à situação enfrentada pela comunidade acadêmica das duas instituições de ensino superior, assim como já vêm tentando o Sinpro-Rio e o SinMed RJ e a Assembleia Legislativa do Estado Rio de Janeiro (Alerj), por exemplo. Esta promoveu de agosto do ano passado a março deste 2013 uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis e supostas irregularidades em IES privadas flumineneses.
Sabe-se que, recentemente, chegou às mãos do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), em Brasília, um dossiê enviado pelo Centro Acadêmico Albert Sabin de Medicina da Gama Filho (Camed) contendo dados de supostas irregularidades no curso em questão.
Às 18h da próxima terça-feira (19), os docentes decidirão em nova assembleia se continuam ou não a greve, caso o grupo gestor envie uma nova programação/proposta de pagamento. A última foi criticada pela categoria.
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