domingo, 13 de dezembro de 2009

Pesquisa mostra pensamento do brasileiro sobre política, economia e democracia

Lula é o líder predileto entre os demais colegas latino-americanos

Uma pesquisa realizada pela Organização Não-Governamental Latinobarómetro, entre os dias 21 de setembro a 26 de outubro deste ano, em 18 países latino-americanos, com exceção de Cuba, e divulgada nesta sexta-feira (11/dezembro/2009) mostra como os povos da região se vêem em questões, como: política, economia e democracia. Em cada país foram entrevistados em média 1000 a 1200 pessoas, e a margem de erro é de três por centos. No Brasil, 1204, e margem de 2,8%.

Avaliação de líderes

Numa pergunta para avaliar lideres estrangeiros, o Presidente Luís Inácio Lula da Silva teve a segunda melhor avaliação, numa escala de 0 a 10 (zero é pior e dez é melhor), com 6,4, ficando atrás apenas do americano, Barack Obama, que alcançou nota sete, que serviu como base desta medição. Mas, entre governantes latino-americanos o brasileiro foi quem conseguiu a melhor colocação. Nas duas últimas posições, seus colegas, Fidel Castro, de Cuba, com quatro pontos, e Hugo Chávez, da Venezuela, com 3,9.

Entre os brasileiros entrevistados, Lula teve 84% de aprovação como governante, ficando somente atrás da chilena, Michelle Bachelet, que obteve 85%. De acordo com a Ong estes dois tiveram excelentes avaliações, por causa de políticas para enfrentar a crise econômica deste ano. No ano passado, o presidente tinha 79% de aprovação, enquanto que em 2003, quando assumiu o governo, 62 por centos.

Política

75% dos brasileiros afirmam que somente a maneira de como se vota é que pode mudar o futuro de um país, mas somente 45% acreditam que não há fraudes nas eleições. Os dados mostram, numa visão geral entre os povos latino-americanos, que a família e os amigos estão ganhando mais importância para se saber sobre fatos políticos. Só no Brasil, cerca de 37 por centos dizem saber sobre o tema através de pessoas próximas.

Economia

A maneira como enfrentou a crise foi aprovada por 75% dos entrevistados. Dentre os 18 países pesquisados o Brasil é o que mais acredita que tanto a situação financeira do país quanto a pessoal, que irá melhorar, inclusive que já está progredindo. Mas, 22% dos entrevistados disseram que a economia do país é muito ruim, e três por centos crêem que nunca será uma nação desenvolvida.

O mais impressionante aqui é que 50% dos brasileiros concordam que as privatizações ocorridas (desde 1998) foram benéficas, e 54% se dizem satisfeitos com a prestação de serviços das concessionárias de luz, água, telefonia, entre outros serviços públicos. Numa avaliação geral, o Brasil foi o que mais considerou positiva o fato de governos passarem a administração de tais serviços para o mercado privado.

Democracia

Dois índices foram bem característicos nesta pesquisa: um diz que 44% da população deste país concordam que se passe por cima das leis, do governo e do parlamento, quando houver uma situação difícil de ser solucionada; o outro que, 61% também estão de acordo que os militares possam retirar à força um presidente que viole a Constituição. Nestas duas informações o Brasil fica novamente em primeiro, dentre os demais países do bloco.

34% dos brasileiros acreditam que um dia o país possa ter outro golpe de estado, mas 64%, ou seja, quase o dobro, afirmam que jamais apoiariam sob nenhuma circunstância um governo militar.

Numa escala de 0 a 10 (zero é pior e dez é melhor), o país recebeu nota 6,8 no quesito democracia. Pelo menos 48% dizem que não pode haver democracia sem partidos políticos, e 45% afirmam que esta não é possível sem o parlamento.

Ficando em segundo lugar, entre os latinos da região, os brasileiros acreditam que participar de protestos é importante, porque assim podem mudar as coisas no país. E, 95% alegam que manifestações, passeatas e outras formas de expressão fazem parte da democracia.

Uma das questões era se os meios de comunicação deveriam publicar notícias sem o medo de serem fechados, e 77% das pessoas disseram que sim, enquanto em outra pergunta, 34% concordaram que o governo poderia fechar um canal caso fosse divulgado algo que não gostasse.

Sociedade

Em terceiro lugar entre as nações latino-americanas, 50% dos brasileiros admitem ser discriminados (idade, gênero, opção sexual, raça etc.). No caso das mulheres, 46% dos entrevistados afirmam que o fato de elas ganharem mais que os homens têm problemas. Também foi perguntado quem não gostaria de ter como vizinho um homossexual, e só 14% disseram não querer.

O Brasil ficou por último no índice dos povos que acreditam nas pessoas, com apenas sete por centos dizendo que confiam nos demais.

Visão geral América Latina

Entre outros dados abordados na pesquisa está a reprovação pelo golpe de estado ocorrido no dia 28 de junho deste ano, em Honduras, no qual tirou o presidente Manuel Zelaya, além da visão que se tem sobre a Venezuela, Cuba e Estados Unidos, sempre em um comparativo democrático, como também a influência das mulheres na política, como no caso da Argentina e do Chile.

Em um contexto geral, 79% dos latino-americanos afirmam poder exercer qualquer religião sem o menor problema, mas falam que democraticamente não há proteção suficiente contra a criminalidade.

A igreja se destaca com 68%, entre as instituições que exercem maior confiança, seguidos do Rádio e da TV, com 56 e 54 por centos, respectivamente. Os menos acreditados foram: a Justiça, com 32%, os Sindicatos, 30%, e os Partidos Políticos, 24%.


Nota do Opinólogo

É importante ressaltar ao leitor que, o resultado positivo para a popularidade do Presidente Lula se deve muito mais do que simplesmente uma política para enfrentar a crise financeira que assolou o mundo, no entanto, as sociais, tais como: Bolsa Família, Prouni etc., e claro, a posição do Brasil como credor do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No subtítulo “Política” a forma de votar realmente quer dizer tudo. Mas por que os brasileiros continuam votando nas mesmas pessoas, que inclusive estão envolvidas em escândalos político-financeiros? O Brasil seria mais democrático se as eleições não fossem obrigatórias.

Embora a pesquisa mostre que 50% dos brasileiros aprovam as privatizações, e 54% se dizem satisfeitos com a prestação de serviços, é importante avaliar o quanto de processos diversas concessionárias de serviços públicos têm em vários órgãos de defesa do consumidor, por causa de erros ou má prestação do mesmo. Talvez o que possa ter influenciado uma avaliação tão positiva como esta foi o barateamento dos mesmos, como conseqüência a facilidade em se possuir certos bens de consumo (o que antes era difícil). Antes da privatização, por exemplo, era muito caro possuir uma linha telefônica fixa, e celular, coisa mais rara. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), do dia 20 de novembro de 2009 revelam que atualmente mais de 168 milhões de brasileiros possuem acessos ao serviço de telefonia móvel.

Quase metade dos entrevistados disse ser a favor de se passar por cima das leis, do governo e do parlamento, para tentar se resolver alguma coisa de difícil solução. O tema é muito amplo e subjetivo. É preciso questionar o que pode ou não ser violado com isso, já que cada coisa tem uma determinada importância para cada indivíduo e conforme as necessidades do momento. O pior de tudo isso, talvez não fosse passar por cima de um governo ou parlamento, e sim das leis, porque é o mesmo que desrespeitar o cidadão, já que elas foram criadas no intuito de organizar e proteger uma sociedade de si mesma.

Democraticamente falando, a nota que o Brasil recebeu, de 6,8, lhe faz jus: um exemplo disso é o que está passando o jornal “O Estado de São Paulo”, que desde julho está impedido pela Justiça Federal do Distrito Federal (JFDF) de publicar detalhes da Operação “Boi Barrica”, na qual Fernando Sarney, filho do Senador José Sarney, é um dos investigados.

A respeito do que disseram sobre fechar um meio de comunicação, caso noticie algo que não seja apreciado por um governo, é bastante negativo, porque a função de um veículo de informação não é agradar a um político, elogiar sua administração ou minimizar o caos de uma sociedade, mas mostrar a verdade dos fatos, já que democracia quer dizer direito do povo, e este tem o direito de saber o que acontece. Se não fosse a mídia, muitos dos escândalos envolvendo dinheiro público jamais seriam descobertos.

A América Latina está passando por um processo de esquerdismo impressionante: líderes socialistas e as mulheres estão tendo vez no poder. A razão disto pode estar nos governos de direitas que fracassaram, e então, os povos estão tentando achar na outra ideologia formas de avançar na política, economia e em questões sociais. Só que pior do que uma direita para os ricos e uma esquerda utópica é o neo-socialismo ou a neo-democracia latina, pois diversos governos buscam formas de continuarem no poder de modo direto, consecutivo e por tempo indeterminado. É a substituição de um partido político no poder pela imagem de uma figura humana que passa a valer mais que a instituição na qual representa. O bloco está vivenciando uma nova fase de “despotismo esclarecido”, cheio de idéias revolucionárias, na qual um líder conhece os direitos de seu povo, mas os viola ou então, tenta modificá-los, fazendo com que demais pensem que seus interesses pessoais são necessários para o bem de uma nação, por exemplo, a tentativa de criação de uma lei de delitos midiáticos, na Venezuela, na qual uma das proibições era noticiar algo que fosse em desacordo com o governo ou que alterasse a ordem pública.

O fato de a igreja, como instituição, alcançar o maior índice de confiança entre os povos latino-americanos poderia ser compreendido como uma fuga para os problemas sociais de uma gente, enquanto que a descrença na Justiça, Sindicatos e Partidos Políticos, na corrupção e na má administração pública, por exemplo.

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